Diz-se alento. A revolta inicial dá lugar a uma queda na realidade avassaladora da coisa. O mundo em suspenso. Não se pode fazer mais do que se tenta. Esbracejar. Para sobreviver. Ao fim de um tempo aquela força de muitos dá lugar à reflexão de cada um. Cada um perante a sua realidade. E a dimensão imensa dos pequenos grandes problemas. E o tempo. O tempo que continua a passar como se não fizesse parte de nós. Deixamos de pertencer a nós, para sermos só nós outra vez. Porque os problemas de uns não são os problemas de todos. E ensina, a sociologia e a psicologia social que voltaremos depois, quando todos estiverem esgotados das pequenas soluções para os gigantescos problemas, a pensar que será necessária a força de muitos para conseguir para poucos o que alguns vão conseguir. É assim com os restaurantes, é assim com todos e tudo. E os dias vão passando. Percebemos que cada dia em que suspendemos a vida será mais um dia para lutar no futuro. Não sabemos já como fazer para segurar as coisas. Sabemos só que as temos que segurar. Mas escapam pelos dedos. Estamos a perceber que isto é diferente de tudo o que já vivemos. E por ser diferente de tudo, não sabemos o que fazer. É como uma receita nova com um produto que não conhecemos. Que nunca cozinhámos. Sabemos isso. Que há aquele instante em que pensamos que não somos capazes simplesmente por não saber o que fazer. Por nos encontrarmos num lugar de espanto e dúvida. Depois, partimos o problema em pedaço. Perguntamos a outros ou avançamos por nós. Partimos para o desconhecido com as dúvidas. E depois, ou corre bem ou corre bem. A primeira vez corre sempre menos bem do que a seguinte e assim sucessivamente. Estamos, na vida, neste momento, como esse exacto momento em que nos colocam um peixe à frente que nunca vimos nem sabemos como se cozinha. Pior. Estamos sem perceber o que fazer porque é mesmo algo novo. Por isso, a única coisa que podemos pensar é na experiência que temos. No que sabemos e já fizemos. Até ali, até ali, àquele momento, como a este momento na vida, vivemos. Aqui, neste agora, somos só isso. Também. Por isso, porque será preciso continuar, há que perceber que cada instante que passar será um desafio. O realismo diz e avisa a gritos que não será fácil. Desta vez será ainda e muito mais difícil. Não é ser pessimista dizer isto. É perceber que, como o peixe que temos à frente, temos que partir do que conseguimos perceber para tentar. Nunca do que pensamos ou achamos que deve ser. Da realidade, pura e dura. E partir cada pedaço deste desafio para depois, no final, conseguirmos uma solução para cada problema que agora a restauração enfrenta. Cada restaurante por si. E no seu tudo, a empresa nacional da gastronomia. Um a um, cada um, será sempre essa a única forma de conseguirmos uma solução. Seja ela qual for…
