Sempre me descansou pensar que, para além das dores do mundo, tínhamos as instituições criadas após a II Grande Guerra para manter o equilíbrio no mundo. Para além do egoísmo de cada país e das intenções de monopólio, o ajuste estava assegurado e não deixava nenhum povo de fora, fosse em que geografia fosse. Cresci nesse mundo e acredito nesse modelo. Com pena, por isso, assisti ao desnorte da OMS e às declarações do seu máximo representante no âmbito da pandemia. Com tristeza, li as acusações que lhe foram dirigidas e percebi a frágil reação de uma organização que tem a designação de Organização Mundial de Saúde. Perante uma situação de pandemia, a reação que se viu e sentiu veio dos países de forma individual, sendo que a cooperação entre os povos ficou por se mostrar. Cada país reagiu, uns mais cedo do que outros, uns de uma forma mais defensiva do que outros. Que unidade na ação? Que cooperação na reflexão? Que colaboração na reação? 

Hoje de manhã, estive a ouvir uma entrevista que o Secretário Geral das ONU, Eng. António Guterres, deu à BBC. Até me fez impressão a forma como as respostas procuravam fugir a uma ferida que é mundial. Perante perguntas que se impõem, percebemos a fragilidade das respostas muito longe de um tom de intervenção. Bem sabemos que organizações como as ONU ou a OMS não podem nunca ter discursos disruptivos a promover conflitos, mas também sabemos que o momento impõe mais do que retirar conclusões para o futuro. O momento exige ação porque o momento ainda não acabou. As reações, quer sanitárias, quer económicas, quiçá políticas, virão em catadupa e vão abalar certezas. 

Reféns dos países mais fortes, estas organizações arriscam-se a perder notoriedade e motivo para serem financiadas. É urgente que os seus líderes recuperem protagonismo, relancem discursos de unidade, de intervenção para um futuro melhor. Só assim não vão acabar como estátuas de prateleira. São ainda de boa memória discursos, figuras, intervenções de alguns líderes que nos faziam sentir confiança. Precisamos de renovar a esperança nas organizações de cooperação internacional.  E acredito que tal é cada vez mais necessário, pois é evidente como o mundo se encontra dividido e como a pandemia serve de arma de arremesso entre países que há muito só precisavam de uma desculpa para tal.     

O mundo precisa de dar mais força às organizações intergovernamentais, só assim poderemos continuar a acreditar no equilíbrio do poder. Se é o modelo que está mal, que se reinvente. Se são os líderes que precisam de ter mais carisma, que se perceba isso. Mas que não se deixe morrer o sonho de um mundo melhor preservado dos interesses egoístas de cada país.