No vaivém de informações e no diz que disse do que vai ser e do que não vai ser fiquei baralhada e acho que só vou voltar a ler jornais no próximo dia 18 de Maio, data possível para a abertura dos restaurantes e pastelarias. Talvez me poupe a todo um redemoinho de informações que me vão distrair, confundir e fazer perder a paciência. Num país em que há tendência para o exagero, convém aceitar as recomendações de prudência e calma. Já bastará o problema que estamos a viver e a urgência de todo um debate que pondere a necessidade de preservar a saúde de clientes e colaboradores e o usufruto de um serviço que promove o relaxamento.  Ainda que, ultimamente, os locais de venda de alimentos cheirem mais a desinfetante do que as unidades de saúde, temos que perceber que uma mesa de um qualquer restaurante não será uma banca de hospital onde todas as variáveis são controláveis. Impossível fazê-lo, simplesmente porque quando vamos a um restaurante ou a uma pastelaria queremos descontrair. O mesmo acontece numa casa de família onde todos convivem nos mesmos espaços. Ainda que se criem regras, se defina quem usa o quê, se promova a repetição de hábitos de proteção de todos, a verdade é que quando damos por ela estamos sem querer a tocar, a aproximar, a esquecer o cuidado necessário. Acontece porque estamos à vontade. E, suponho eu, que não queremos fazer das idas ao restaurante saídas solitárias. Para isso ficamos em casa e encomendamos take-away e no relaxamento do lar temos a proximidade que consideramos conveniente com quem entendemos. 

Não quero com isto dizer que não devemos fixar regras rígidas de segurança. Antes pelo contrário, devemos insistir em práticas que nos permitam ser profiláticos. No entanto, também não podemos contribuir para um clima de ansiedade e de sobressalto constante que, necessariamente, vai ser gerador de conflitos. Se continuamos a discutir o menos e o mais numa vertigem que vai dos zero aos cem, corremos o risco de não ajudar a economia e tomar decisões que não permitem alcançar aquilo que verdadeiramente se propõem, proteger as pessoas que estão dentro e fora do balcão, que estão fora e dentro da cozinha. 

Das viseiras às máscaras, dos acrílicos às linhas de separação, temos de pensar como nenhuma das medidas que têm sido ventiladas como possível permitem anular o risco com garantia total. Cada uma delas evita, mas bem analisadas (e o calor vem aí, convém não esquecer como facilita os fluidos corporais) todas elas têm algures um calcanhar de Aquiles. 

É difícil saber o que fazer, que propostas serão lúcidas e as que serão um exagero próprio de filmes de ficção científica. Não invejo sequer quem tem que decidir, afinal estamos a decidir no vazio da experiência. Mas convenhamos, lá que numa ida ao mecânico ou a uma loja de serviços se obrigue ao distanciamento é mais do que exigível, já num restaurante devemos perceber o que quererão os possíveis clientes. Se for para ter uma experiência de constante verificação de procedimentos mais vale mesmo ficar em casa e pedir uma refeição take-away.