É certo que todos queremos respostas imediatas. A nossa fome pelas certezas é tanta que às vezes até nos esquecemos que o tempo vai ter que passar para que elas sejam seguras e nos caiam nas mãos como fruto maduro. No ponto. Tal e qual como quando fomos surpreendidos pela ordem de recolhimento social e de um afastamento profilático. Ainda me lembro dos cenários catastróficos que todos consideravam que íamos ter e de como procurávamos respostas aos problemas imediatos. Desde o início do dia ao cair profundo da noite, todos ouviam as notícias na espera de que tal lhes trouxesse as respostas que tanto procuravam. Os restaurantes e as pastelarias fecharam. E agora? Dentro do mais negro dos cenários e nas impossibilidades todas que nos atormentavam o sono recusávamos aceitar e viver um modelo diferente. Queríamos que fosse como estávamos habituados, amaldiçoámos o vírus e fizemos dele o inimigo comum. Na hora, naquele momento queríamos certezas. E nem percebemos que a melhor certeza era a segurança sanitária e que teríamos que ser nós a encontrarmos as certezas. Estas teriam que ser construídas por nós. E o que é certo, é que começámos a delinear respostas que foram sendo ajustadas, reprogramadas, reinventadas de modo a servir os nossos propósitos. E, ainda que o que surgiu não tenha mudado a nossa vida nem seja garantia de que tudo vai correr bem, pelo menos criou outros cenários, afirmou realidades que já estavam na calha, fizeram-nos acreditar.

O problema das certezas é que elas não são absolutas. Isto é, as certezas não são válidas por si. Elas só fazem sentido nos contextos que as fazem brotar e na interpretação que nós lhes damos. O estar certo ou errado depende, nos tempos que correm, de muito mais do que aquilo que é visível. E neste caminho de mudança acelerada que vivemos não conseguimos ter paz, ausência de ruído e calma de movimentos para pensarmos as certezas que precisamos. Passados dois meses do início, sinto que nos fomos habituando às mudanças e às certezas que fomos encontrando e das quais temos agora dificuldade em deixar para trás. O conforto das certezas nem sempre é nosso amigo. Olhar as certezas que se começam a delinear é a melhor maneira de conseguir o conforto que tanta falta nos faz. Para que o chão seja seguro, esperemos que o tempo nos traga as respostas. E podemos sempre olhar ao exemplo das cerejeiras, que precisam do frio e do torpor gélido do Inverno para florirem na Primavera.