Algumas das grandes ideias têm um começo idêntico: dois ou mais amigos juntam-se,  criam um projeto e mostram-no ao mundo. A partir daí a ideia já não é deles mas sim de todos. É assim o Eating Algarve, uma iniciativa que surgiu da paixão de António Guerreiro e Joana Martins – ambos de 32 anos – pela gastronomia e pela sua região de berço, o Algarve. Tal como o nome pressupõe, a empresa elabora roteiros gastronómicos e culturais na região, que incluem “provas de ingredientes locais, na forma de bebidas e pratos característicos, em casas de restauração cuidadosamente selecionadas e visitas a património, desde igrejas, miradouros, museus, e outros pontos de interesse”, afirma António.

Apesar de ambos os sócios terem nascido e crescido no Algarve, devido a experiências profissionais acabaram também por viver fora de Portugal. No entanto, resolveram voltar à sua região berço por acreditarem que têm o dever de “potenciar as suas inúmeras qualidades”.

O projeto nasceu da necessidade de mostrar a quem visita o Algarve, “a perspetiva de quem cá vive e se sente emocionalmente ligado à região e tem a paixão em partilhar a história e a gastronomia algarvias”, sublinham António e Joana que acreditam ainda que o Algarve tem um problema a esse nível. “Muitos dos viajantes que nos visitam querem saber onde é que os residentes comem, desejam saber a história por trás de uma determinada estátua e agora existe essa possibilidade”, explicam.

A Eating Algarve oferece duas tours, a do Petisco e a do Pescador – ambas incluem degustações tradicionais em restaurantes selecionados e visitas a pontos históricos da cidade por 74€ (promoção de 59€ até ao final do ano). A diferença entre as duas está mesmo no tipo de gastronomia oferecido. Na primeira, a escolha é, por exemplo, entre choquinhos fritos, carapaus alimados ou tiborna, entre outras opções. Já a segunda, como o nome indica, é inspirada pelo mar e inclui peixe da costa algarvia, mariscos e outros petiscos. “O cliente tem a possibilidade de fazer 9-10 degustações diferentes, e conhecer cerca de sete casas. É uma forma de promover os nossos restaurantes parceiros”, contam os responsáveis. As tours são limitadas a um mínimo de duas pessoas e no máximo de 12. No entanto, há uma abertura para as fazer a clientes individuais ou empresariais. “Em breve vamos alargar os nossos serviços, ao incorporar atividades como workshops de cozinha”, referem.

Por agora as tours, apenas se realizam em Faro. No entanto, no futuro próximo serão alargadas a outras localidades. “A nossa intenção é trabalhar o Algarve inteiro: o litoral, o barrocal e a serra, do barlavento ao sotavento”, afirmam. A escolha da capital algarvia como cidade piloto advém do facto do “incrível número de pessoas que aterram no Aeroporto Internacional de Faro e não chega a visitar, nem sequer a entrar, na cidade”, revelam. Este é um dos grandes problemas por resolver: “como podemos aproveitar os milhões de passageiros que aterram em Faro e não chegam a visitar a cidade?”.

O feedback dos clientes tem sido positivo. “Os estrangeiros ficam encantados com a riqueza da nossa história e a qualidades das nossas refeições”, por outro lado, os clientes nacionais – que até agora são os que mais têm aderido às Eating Tours – revelam algum “desconhecimento, tanto ao nível da história local e regional, como até de espaços de restauração que estão ao virar da esquina mas que passam desapercebidos e que nunca foram visitados”.