É na mesma rua do Forno d’Oro que desde dezembro encontramos o mais recente projeto de Tanka Sapkota – o Il Mercato. A intenção do chefe nepalês, apaixonado pela cozinha italiana, era criar um espaço diferenciado – uma junção de mercado com restaurante – onde os clientes tivessem a oportunidade de comer produtos italianos. O mesmo pensamento serviu de base à criação dos restaurantes Come Prima, em 2009, e Forno d’Oro, em 2015. No novo espaço, Tanka pretende que os portugueses tenham “a oportunidade de provar produtos de alta qualidade italianos”. Afinal de contas, como o chefe diz: “Portugal também tem direito!”.

No novo espaço, Tanka pretende que os portugueses tenham “a oportunidade de provar produtos de alta qualidade italianos”. Afinal de contas, como o chefe diz: “Portugal também tem direito!”.

Este ‘mercado’, amplo e decorado por Cristina Santos Silva, conta com cerca de 60 lugares. À entrada, à direita, é possível ver a montra de produtos que dispõe, como salame, presunto, queijo, arroz e azeite. “Aqui o produto é a nossa prioridade. É tudo top”, diz o chefe. Destaque para as 20 massas frescas, feitas todos os dias. A juntar a esse facto, também há “uma variedade de molhos – desde o de tomate à carbonara – que os clientes podem pedir e levar para casa”, explica. Seguindo em frente, encontramos a garrafeira, com sugestões unicamente italianas e o bar. “À noite, já temos muitos clientes que jantam e depois compram produtos na mercearia”, conta Tanka.

Destaque para as 20 massas frescas, feitas todos os dias. A juntar a esse facto, também há “uma variedade de molhos – desde o de tomate à carbonara – que os clientes podem pedir e levar para casa”

Nesta casa, tudo nos faz crer que estamos num restaurante tipicamente italiano, não fossem três produtos que nos fazem voltar à realidade. “A água (engarrafada), a oferta de gins e os ovos biológicos que usamos para fazer massa – da marca Casal dos Planetas, com sede em Vila Franca de Xira – são as únicas coisas portuguesas”, brinca Tanka.

Na carta do restaurante, para além da opção a la carte, existe o menu 1861 (data da reunificação de Itália), que é igual ao almoço e ao jantar mas que muda todos os dias. Ao almoço, o menu inclui seis pratos: três opções antipasti, dois pratos de massa fresca e um de carne (11,95€). Já ao jantar, acrescenta a essas opções, uma sobremesa e café (19,95€). No dia em que o ETASTE visitou o Il Mercato, havia ‘gnocchi ai quattro formaggio e noci’, ‘cellenteni al ragu’ (carne de vitela) e ‘vitello alla milanese’. Para os intolerantes ao glúten, há boas notícias: em breve vão existir opções de massas feitas à base de arroz e milho.

Para os intolerantes ao glúten, há boas notícias: em breve vão existir opções de massas feitas à base de arroz e milho.

Antes de inaugurar o espaço, o chefe viajou até Itália na procura dos melhores fornecedores de burrata, mozarela e parmesão – ou como se diz em bom italiano: ‘parmegiano’. A mozarela, em concreto, que vem duas vezes por semana de avião, diretamente da cidade de italiana de Campânia, foi alvo de uma investigação por parte de Tanka durante duas semanas. “Provei mais de 40 diferentes. Acabei por escolher uma de uma empresa familiar que não tem nada a ver com alguma que já possas ter comido na vida”, garante. Segundo o chefe, a mozarela dura no máximo “dois ou três dias” e deve ser mais “elástica do que uma industrial”, explica. Nos primeiro seis meses, será vendida ao preço que Tanka Sapkota a compra (8,95€/unidade), para “todos terem a oportunidade de “experimentar o produto”.

A mozarela, em concreto, que vem duas vezes por semana de avião, diretamente da cidade de italiana de Campânia, foi alvo de uma investigação por parte de Tanka durante duas semanas.

E como é que um nepalês, que cozinha comida italiana, chega a Portugal? “Foi tudo por acidente. Aos 18 anos, deixei a universidade e fui para Alemanha e comecei num restaurante, a lavar pratos. Passados seis meses, comecei a trabalhar diretamente na cozinha, juntamente com um primo”, conta. Nessa altura tomou contato com a gastronomia italiana, que o encantou pela sua “simplicidade”. Após um período de quatro anos “vim para Portugal com a ideia de ficar duas semanas e passaram dez anos”, refere. A dada altura, opta por viajar até Itália para estudar cozinha na Academia Gambero Rosso e volta para Lisboa. “A bagagem não era suficiente”, diz. Essa necessidade é uma constante na vida do chefe nepalês. “É sempre bom aprender. Cada vez que vou a Itália, volto de lá a saber coisas novas”, confessa.

Em 1996, quando Tanka optou por escolher Portugal como a sua casa, a cozinha italiana era “muito fraca”. “Na altura um quilo de rúcula podia custar até 50 euros e manjericão, 40!”, recorda.

Em 1996, quando Tanka optou por escolher Portugal como a sua casa, a cozinha italiana era “muito fraca”. Dessa altura para agora, o chefe concorda que houve uma “grande mudança”. Mesmo a nível de ingredientes. “Na altura um quilo de rúcula podia custar até 50 euros e manjericão, 40!”, recorda. A própria massa dos restaurantes italianos em Portugal deixou de ser comprada de forma industrial e passou a ser produzida in loco. “No Il Mercato é feita todos os dias. E com ovos biológicos. Há 20 anos, isto era impensável”. Hoje Tanka Sapkota é da opinião que os próprios clientes também mudaram, já são “mais abertos” ao que é diferente. Se bem que “ainda há muitas pessoas que vêm aos meus restaurantes, pedem pasta e depois queixam-se da sua cozedura. O nosso al dente ainda é cru para eles…”

5 produtos imperdíveis da mercearia do Il Mercato,

segundo o chefe Tanka

 

 

  1. Mozzarella di Bufala del giorno (8,95€/uni)
    Na sua pesquisa intensiva pela melhor mozarela, Tanka encontrou uma particular da zona de Campânia, no sul de Itália. Uma dica do chefe: ao cortar o produto, fazê-lo com cuidado, para o leite não sair.
  2. La Fossa Dell” Abbondanza – Il Pecorino (70€/kg)
    Este queijo tem a particularidade de ser “curado a quatro metros debaixo da terra”, desvenda o chefe nepalês.
  3. Culatello di Zibello D.O.P. (199,50€/kg)
    Para o chefe do Il Mercato “este é “o melhor presunto de Itália”.
  4. Parmigiano Reggiano D.O.P. – Grana D’Oro Vacche Rosse (preço sob consulta)
    Este não é um parmesão qualquer: “contém leite de grande qualidade e sente-se o granulado no queijo, ao mastigar”.
  5. Gippoline all Acete Balsamico IGP (37€/kg), Frutti di Cappero (23€/kg), Olive Belle de Cergnola (19€/kg), Pomodori Secchi (29€/kg) e Carciofini (19€/kg)
    Junto às massas frescas, estão cinco boiões gigantes de vários produtos em azeite e vinagre, como azeitonas, alcaparras, alcachofras e tomate seco. “É impossível destacar um só”, diz o chefe.

 

Contactos:
Il Mercato
Páteo Bagatela
Rua da Artilharia 1, n.º 51, Lisboa
Tel. 211 930 941
Horário: De terça-feira a sexta, do 12h às 15h e das 19h às 23h. Ao fim de semana, está aberto até às 24h.