O Leopold Museum, em Viena, é a casa das maiores obras modernas e contemporâneas austríacas. Em 2003, exibiu a exposição ‘Hin Shauen’. O chefe Tiago Feio e a sua mulher, Ana Cachaço, têm um poster alusivo a essa mostra. Primeiro, colocaram-no na cozinha da sua casa, onde os amigos se juntavam sempre que havia jantares, e daí seguiu para o restaurante inaugural de Tiago e Ana. Razões de sobra para, com esse nome, batizarem o número 27, da Rua de São Cristóvão, na Mouraria. Inaugurado em fevereiro de 2014, o Leopold fechou portas em meados de 2016 para se renovar. E eis que agora prepara a sua grande abertura, no Palácio Belmonte, em Lisboa, onde mantém o nome – e mais duas ou três coisas – e avança com algumas novidades.

O que se mantém e o que se renova

Antes, Tiago Feio tinha ao seu dispor uma antiga padaria com 25 m2, quatro mesas, 10 lugares sentados e uma cozinha sem fogão, aberta para os convivas. A partir de novembro, passa a estar num palácio do século XV, cresce para 25 lugares – apesar de só ter três mesas, sendo uma delas comunitária para oito pessoas – e continua sem fogão. Além disso, nesta nova fase conta com a colaboração da ceramista Teresa Pavão e dos designers Chloé Pais e Manuel Neto, responsáveis por conceberem toda a loiça do Leopold. Ora aqui entra a primeira grande diferença para o anterior restaurante. No novo espaço, pratos e copos não têm apenas a função de acolherem as receitas pensadas pelo chefe. Pelo contrário, Tiago pediu aos três artistas que desenhassem peças de todos os tipos e garantiu-lhes que as receitas iriam inspirar-se nas suas criações. “Muitas vezes os pratos servem apenas como suporte ao que o chefe faz e eu aqui quis que fosse diferente. Fui buscar inspiração ao que eles me trouxeram”. O legado do Leopold Museum parece estar a cumprir-se.

Agora, sem talheres

“Vai haver talheres mas pontualmente”. A argumentação de Tiago baseia-se na premissa de que se uma criação é para comer com as mãos, come-se com as mãos e ponto final. “Isso não é um problema para o tato nem para sentir as texturas, antes pelo contrário”, garante. E acrescenta: “Há uns pratos que faz sentido comer com talheres, há outros que faz sentido comer com chopsticks. Nós não queremos seguir o protocolo porque é assim e ponto. Os utensílios e a forma como se come dependem se faz ou não sentido para aquela criação específica”.

A juntar ao sentido do gosto e ao do tato, Tiago traz ainda a imagem em movimento e o som. O Leopold terá um projetor na sala e ainda um gira-discos. “Sabe, nós não gostamos de música ambiente… Gosto demasiado de música para isso”, atira. Para resolver este impasse, comprou um gira-discos, uns vinis de acordo com o seu gosto pessoal e “em vez de estarmos a pôr música para ‘criar um ambientezinho’ que sai num sistema sonoro todo sofisticado, não. Temos algo concreto que faz parte da refeição”. A responsável pela música – e também a chefe de sala – continua a ser Ana Cachaço, que brevemente – ainda não há data para a inauguração – vai acolher todos os clientes nesta nova versão do famoso Leopold Museum, aqui com as obras ‘artístico-gastronómicas’ de Tiago Feio.

Contatos:
Leopold
Pátio de Dom Fradique 14, Lisboa
Tel:
218 816 600