Apesar de só se ter iniciado no mundo do bar em 2011, o barman do Pub Bonaparte, no Porto, parece que desde sempre fez do bar vida. É licenciado em Comunicação Empresarial mas foi a hotelaria que lhe roubou o coração. Começou então a investir na área através de pequenos cursos e workshops. Carlos Santiago é o novo Barman do Ano e sucede a Wilson Pires, vencedor da primeira edição do concurso. No misto de emoções que foi a final, no Lisbon Marriott Hotel, a 11 de Novembro de 2015, falámos com o homem do momento sobre o Barman do Ano.
É o Barman do Ano 2015. O que sentiu quando ouviu o seu nome?
Foi um misto de emoções. Mas alegria, acima de tudo. É a primeira vez que ganho um prémio deste calibre. Não há palavras. Quando ouvi meu nome quis logo encontrar a minha namorada e agradecer por todo o apoio que ela me dá. Tudo isto das provas, a ausência, o tempo que tiro para estudar – a sacrificada é sempre ela.
Isto significa uma grande mudança na tua vida. Vejamos o exemplo do vencedor de 2014, o Wilson Pires, que deu um grande salto na carreira como barman.
Sim, é verdade. O Wilson, ‘explodiu’ e teve um grande ano. O local onde ele trabalhava também o ajudou bastante na visibilidade e espero que aconteça o mesmo comigo. Não vale pena estar com rodeios. Todos nós queremos ‘explodir’ na nossa carreira. Devo tudo ao local onde atualmente trabalho, sem o apoio deles não estava cá. Se o conseguir fazer lá, perfeito. Se surgir outra oportunidade, logo veremos. Vou aguardar que essas oportunidades surjam também para crescer e aprender. Agora, quero ajudar os meus companheiros do Porto, quero passar-lhes todo o conhecimento que adquiri ao longo desta competição. O meu objetivo é criar uma família bartender no Norte, forte e unida, tal como já existe em Lisboa e no Algarve.
Fale-me um pouco sobre o cocktail ‘Bibó Porto’ que apresentou na final.
Queria trazer a minha cidade comigo e assim o fiz. Peguei num ícone gastronómico, a Francesinha, e desconstruí-a. A ideia foi pegar nos ingredientes da receita original e depois transformá-los com o objetivo de fazer lembrar ao consumidor a cerveja, que normalmente acompanha o prato. O cocktail apresenta assim a cor e a textura dessa bebida.
Num fundo, este cocktail é uma carta de amor ao Porto?
Exactamente. Tenho orgulho de onde venho e acho que só faria sentido participar nesta prova se a minha cidade viesse comigo. Esta vitória também é do Porto. O meu desejo agora é que as pessoas se aproximem mais dos bartenders da minha cidade.
Qual a tua opinião sobre o food-paring?
O food-paring tem muito a ver com a ideia do consumidor associar uma comida a um cocktail. E é uma boa forma das pessoas começarem a beber este tipo de bebidas. No Porto, o cocktail não está muito desenvolvido e se nós conseguirmos associar, por exemplo, o que eu fiz – que tem a textura da cerveja – à Francesinha penso que o consumidor comum vai beber o cocktail de forma mais fácil.
Como vê a evolução do papel do mundo das mulheres no bar?
Não há razão para as mulheres estarem de fora ou para se envergonharem de algo e não participarem nas provas. Elas fazem falta nesta área e não devem ter medo de avançar. As mulheres são mais sensíveis e os próprios homens já estão a desenvolver essa sensibilidade. Elas são mais atentas ao detalhe. A Flavi Andrade é um bom exemplo disso e tem feito um excelente trabalho. Temos outras em Portugal, é preciso é que avancem.
Que conselhos daria aos jovens bartenders e a quem participe neste tipo de competição?
Como o Wilson Pires diz, com o seu fundo de verdade, temos de ser nós próprios. Quanto mais naturais formos, menos hipóteses temos de estarmos nervosos. Há que preparar bem o cocktail, sabermos bem o que temos de fazer e depois agir de forma natural.
