O nome é uma pista para o que aí vem. Entra esta algarvia que não conhece, entra e desconfia. As prateleiras e os quadros na parede desvendam ao de leve o segredo por detrás do nome Marafada. E é no sotaque de Luísa Silva, uma das proprietárias, que se confirma a região de origem. A expressão que dá nome à mercearia pode ter vários significados (marafada significa alguém zangado, irritado ou travesso) e causa alguma estranheza aos clientes. “A maioria não sabe o que quer dizer e acaba por achar piada quando descobre”, diz Luísa.

Estamos em Belém. A rua está tranquila, rodeada de prédios antigos. Lá atrás está o rio, companhia que Luísa bem conhece. A ideia de abrir uma mercearia e cafetaria algarvia, em Lisboa, surgiu quando se mudou para a capital, há quase três anos e começou a “sentir falta dos produtos da terra”. Quem alinhou na aventura foi a filha, Raquel Martins, que deixou Olhão para estudar Arquitectura, há cerca de oito anos.

No espaço podemos encontrar uma montra de produtos, desde vinhos, licores, azeites, compotas e mel – oriundos das mais diversas cidades do Algarve, como Lagos, Tavira, Castro Marim ou Aljezur. Destaque para as relançadas conservas ‘Good Boy’, de cavala com caril e malagueta (2,30) e biqueirão com molho de escabeche (3,30). E quem não sabe onde se vendia, fica a saber, que aqui há farinha de alfarroba (2,53), cuja versatilidade pode ser aplicada a bolos ou pão. “Trabalhamos já com alguns distribuidores. Mas ainda existem alguns produtos que vamos ao Algarve buscar, como é exemplo o folar de Olhão”, refere Luísa.

Para comer, na meia dúzia de mesas distribuídas pelo espaço, há uma variedade de bolos, confecionados por Luísa, todos os dias. O morgado fingido – com amêndoa e gila – junta-se à fatia, a outros regionais, como os doces finos ou os D.Rodrigo (ambos a 1,80) – um dos mais requisitados. Ao almoço, para além da ementa fixa, com tostas e saladas, há sempre um prato do dia. Mas nem só de comida é feita esta casa algarvia que também tem à venda olaria moncarapachense. Copos, jarros e saladeiras são algumas das peças disponíveis e prontas a levar para casa (desde dos 2,50 aos 30).

Quando chegar o bom tempo, a Marafada passará a estar aberta às sextas e sábados à noite com o conceito de petiscos associado. “Queremos que os clientes provem alguns dos pratos típicos algarvios, como carapaus alimados ou biqueirões albardados”. E nesta casa tudo seria algarvio, não fossem o pão e queijos alentejanos a completar a festa.

A Marafada
Rua Da Junqueira 316
1300 Lisboa

Tlf. 213 620 159

Aberto de segunda a sábado, das 8h às 19h.