Está oficialmente aberta a época do skrei (um tipo especial de bacalhau fresco). E para comemorar a data, está a decorrer a partir de 17 de fevereiro, e até ao final de abril, em Lisboa e no Porto, a 3.ª edição do SkreiFest.

“Na Noruega são pescadas 400 mil toneladas de bacalhau por ano. Em Portugal consome-se 200 mil. A outra metade é distribuída no resto do mundo”, explica Johnny Thomassen, diretor em Portugal do Conselho Norueguês da Pesca que afirma que a seguir à Islândia e ao Japão, o nosso país é onde se consome mais peixe no mundo. “Portugal é o mercado de bacalhau mais importante para a Noruega e juntar os dois só pode ser um fogo-de-artifício”, sorri Johnny.

Este ano, o Porto foi a cidade escolhida como anfitriã do evento. Ao todo serão 50 restaurantes, na Invicta e na capital, que irão incluir bacalhau fresco nos seus menus. Antiqvvm e Euskalduna, no Porto ou Rabo d’Pêxe, Loco e Taberna da Rua das Flores, em Lisboa, são apenas alguns dos restaurantes onde poderá provar skrei até abril.

Como ponto de partida para o festival, os chefes António Loureiro d’A Cozinha, em Guimarães e Rui Martins do Rib Wine&Beef, no Porto (e agora em Lisboa), apresentaram as suas criações com bacalhau fresco no Mercado do Bom Sucesso, no passado dia 16 de fevereiro. O primeiro preparou uma entrada de ‘Conserva de bacalhau’ e, para prato principal, ‘Lombo de skrei acompanhado de migas com sabores do norte’, ou seja, enchidos transmontanos, couve, pimentos e creme de couve-flor numa combinação de sabores.
Já Rui Martins optou por um ‘Arroz com barriga de skrei, algas e tikka masala’, onde caramelizou as espinhas e carcaça do peixe para fazer jus e utilizou as algas do Mar de Barents para “dar alguma textura crocante e brincar com o arroz”, conta Rui Martins. Os lombos do bacalhau foram marinados em tikka masala, raspas de laranja e limão, alho e azeite. O peixe, esse, “cozinhou apenas por um minuto”, explica.  Numa viagem recente a Senjahopen, na Noruega, o Chefe Cozinheiro do Ano, teve a oportunidade de preparar uma refeição para os pescadores da cidade. “Fiz um paté de fígado de bacalhau e sopa com a língua e as bochechas do skrei, com um caldo feito a partir das ovas”, conta. Sobre a experiência comenta: “Estar lá e sentir o gosto que as pessoas têm por aquilo foi um sentimento avassalador”.

O nome skrei é originado do norueguês ‘at skrida’ que significa andar ou correr. Estes peixes percorrem cerca de 1000 quilómetros por dia, desde o Ártico (Mar de Barents) até à costa da Noruega, nas fortes correntes das águas frias, para acasalarem no local onde nasceram. Quando chegam à zona das Ilhas Lofoten são capturados sob medidas de proteção e preservação impostas pela Noruega, que detém a maior reserva mundial de bacalhau existente no Mar de Barents.

Para ter o selo de certificação, este peixe tem de ser apanhado na Noruega no período de desova. Para além que não pode ter marcas de rede nem anzóis na pele, tem de ser sangrado e limpo a bordo com água do mar e descarregado, no máximo, até dez horas depois de ter sido pescado.

Para quem queira comprar bacalhau fresco, o skrei estará disponível também em alguns supermercados como Jumbo, El Corte Inglês, Apolónia e nos mercados tradicionais de Lisboa e custa cerca de 9€/Kg.

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