Na passada sexta-feira, dia 18 de novembro, foram colocados, no exterior do restaurante Cantinho do Avillez, no Porto, panfletos onde se podia ler “Liberdade para a Palestina” ou “Avillez colabora com a ocupação sionista”. A parede também foi pintada de vermelho vivo. Esta ação coincidiu com a presença do chefe português no restaurante Nithan Thai, no âmbito do evento gastronómico Round Tables, patrocinado pela American Express, que decorre em Israel durante o mês de novembro.
O jornal The Times of Israel rapidamente identificou os autores da iniciativa como apoiantes do movimento Boycott, Disinvestement and Sanctions (BDS). Um grupo que pretende acabar com o apoio internacional a Israel, pressionando o país a acolher as leis internacionais no que diz respeito ao povo palestiniano. Na sua página de internet, o grupo confirma que, a 10 de novembro, apelou a que os vários chefes convidados não participassem no evento mas não adiantou pormenores quanto a atividades posteriores.
Esta é a segunda edição do Round Tables, um evento que desde que se estreou tem tido dificuldades em conseguir chamar chefes de renome a Telavive. Yair Bekier, um dos organizadores do festival, contou ao jornal Público que, no ano passado, dos 300 restaurantes convidados, 290 disseram que não. Este ano, o número de confirmações subiu para 13, sem no entanto, estarem livres de pressões.
Além de José Avillez, a quem vários movimentos – como o Comité de Solidariedade com a Palestina, o Conselho Português para a Paz e Cooperação, o Grupo Acção Palestina, o Movimento pelos Direitos do Povo Palestino e pela Paz no Médio Oriente (MPPM) ou o SOS Racismo, entre outros – apelaram que cancelasse a sua participação no Round Tables, o mesmo aconteceu com outros restaurantes. Este apelo inseriu-se num protesto internacional que juntou mais de 140 organizações de direitos humanos. Outros dos visados foram os restaurantes L’Ami Jean, em Paris, e o Musket Room, em Nova Iorque, os quais chegaram a ter manifestações à porta.
O MPPM, um dos signatários do apelo a José Avillez para que não participasse no evento, já fez saber em comunicado que “acções como as que ocorreram no Porto, e cuja autoria se desconhece, não são da responsabilidade, nem têm qualquer relação com o perfil de iniciativas, princípios políticos e vocação de uma organização com as responsabilidades e o estatuto do MPPM”. Também a SOS Racismo, declarou, através de José Falcão, que não participou na ação à porta do restaurante do chefe, no Porto. No entanto, fez questão de sublinhar que “o que esses activistas possam ter feito é nada comparado com o que está a ser feito por Israel aos colonatos”.
José Avillez não apresentou queixa à PSP, embora a polícia já tenha confirmado que vai investigar esta ação. Ao Diário de Notícias, o chefe sublinhou que não está ligado a nenhum movimento de apoio político e Israel e que “se o encontro gastronómico fosse na Palestina iria também. A cozinha isrealo-palestiniana interessa-me muito”.
