O restaurante Chapitô à Mesa, situado na Costa do Castelo, em Lisboa, reabriu com algumas novidades, incluindo a dinamização de eventos gastronómicos, casos de uma festa dedicada aos Santos Populares e do Friendly Fire. A cozinha, agora a cargo do chefe Pedro Bandeira Abril, continua focada em Portugal e nos seus produtos.

“Não tenho nenhuma ilusão de grandeza ou de brilhantismo, eu não vou inventar a roda, quero apenas um sítio bom, com comida honesta e um bom ambiente”, começa por explicar Pedro Bandeira Abril, o novo chefe do Chapitô à Mesa — posição anteriormente ocupada por Bertílio Gomes — que começou a trabalhar no projeto no começo de 2020, em janeiro, ainda que de forma discreta.

Quando os desafios começaram a suceder-se, devido à pandemia provocada pelo novo coronavírus, o restaurante encerrou e iniciou um serviço de delivery e take away, já com o cunho de Pedro Bandeira Abril. Dia 27 de maio, o restaurante reabriu e as novidades da cozinha do chefe são, agora, mais evidentes.

Em termos de espaço, o responsável afirma que continua a haver uma divisão “muito clara” entre a zona da esplanada e aquela do restaurante panorâmico. Na esplanada, quer-se um ambiente “descontraído, leve e confortável”, com uma carta “muito à base de pequenos pratos de comida portuguesa, para picar enquanto bebemos um copo com uma vista incrível”, e onde se inclui os pratos de escabeche de coelho, meia desfeita de bacalhau, salada de polvo, bacalhau grelhado, atum grelhado e leite-creme, só para dar alguns exemplos.

É neste espaço que durante o mês de junho, o restaurante encontra-se a festejar — todas as quintas, sextas e sábados, ao almoço e ao jantar — os Santos Populares com um menu especial, com caldo verde, sardinha grelhada, sandes de entremeada, bifana no pão, chouriço assado e arroz doce.

Depois desse evento terminar, já foi anunciado um próximo, Friendly Fire, que a partir de dia 29 de junho (e ao longo de todas as segundas-feiras durante o mês de julho), vai juntar alguns amigos e colegas de profissão do chefe para cozinhar à volta do fogo. “É um lote de gente jovem que está a mudar a indústria e que veio para ficar, daí de os chamar #newkidsontheblock. É gente muito boa, despretensiosa e com vontade de mudança, de atualização, de mais e melhor.” Bernardo Agrela (East Mambo e Hub Beato), Shay Ola (Queimado), Leonor Godinho (Musa), Patrícia Pombo (ONA), Miguel Peres (Pigmeu) e João Magalhães (Água Pela Barba) são apenas alguns dos nomes convidados. “Estes eventos são para continuar porque os sinto como algo orgânico. Eu naturalmente quero e preciso de trabalhar com outros melhores que eu para poder evoluir”, afirma Pedro.

Já no restaurante panorâmico, cuja reabertura está marcada para dia 3 de julho, o chefe pretende oferecer um serviço “mais cuidado”, com comida um pouco mais trabalhada “mas sem inventar nada, apenas cozinha portuguesa e produto português”. Segundo explica o chefe, “gostava muito que houvesse uma competição saudável entre os dois espaços. Isso para mim significava que os dois tinham muita qualidade. Embora tenham uma oferta diferenciada terão sempre um fio condutor no conceito que é a cozinha portuguesa”.

Além destes espaços, continua ainda a existir uma terceira vertente do projeto que é uma cantina social para alunos, professores e colaboradores do Chapitô — que é um projeto cultural, social e educativo que cruza a formação, a animação e a intervenção social através das Artes e do Espetáculo. Este conta uma oferta diária de “refeições, completas e equilibradas por um preço muito muito muito acessível”. Pedro explica que o seu interesse pelas cantinas sociais e escolares já tem alguns anos e é influenciado pelo trabalho de Dan Giusti da Brigaid. “Gostava que o meu trabalho tivesse um pouco mais de significado, que tivesse um impacto palpável na sociedade. Na minha opinião, educar os miúdos a comer é a melhor maneira de formar melhores consumidores no futuro e de combater doenças, como a obesidade. Este é o meu lado romântico enquanto cozinheiro, quero acreditar que podemos fazer a diferença e que temos de ser atores ativos na sociedade.”

Para Bandeira Abril — que no seu percurso já conta com experiências em espaços como Bairro Alto Hotel, Casa da Comida, Taberna Sal Grosso e Taberna Salmoura, só para dar alguns exemplos — fazer parte deste projeto “amplo e com muitas vertentes” representa um “grande” desafio pessoal e profissional. O seu objetivo passa por fazer do Chapitô “uma referência em Lisboa de onde se pode comer e beber bem”.