Kai, Talho da Esquina e Esqina Gastro & Cocktail Bar são os nomes de três restaurantes que cheiram a novo em Lisboa. Um deles oferece cozinha tradicional japonesa, outro é a nova aposta do chefe Vítor Sobral no campo da carne e o terceiro é uma Esqina (escreve-se assim mesmo, não há qualquer erro) e tem como responsável de cozinha um chefe argentino. Conheça-os melhor de seguida.

Talho da Esquina
Rua Correira Garção, 15. São Bento, Lisboa.

O novo Talho da Esquina, de Vítor Sobral, tem como foco principal a carne mas no menu também moram alguns pratos bem portugueses. Foto: Humberto Mouco

Depois de dois restaurantes e uma padaria com morada em Campo de Ourique, Vítor Sobral deixou-se conquistar por um novo bairro lisboeta e, com o Talho da Esquina, chegou a São Bento.

Sobral, neto de agricultores alentejanos, de Grândola, desde cedo se habitou a experienciar a vida de campo e a conviver de perto com todo o tipo de animais. “Cresci a comer porcos, cabritos e borregos. E, por isso, não concebo um restaurante de carne onde esses animais não tenham entrada. Normalmente, os nossos churrascos são também compostos por entremeada, frango, chouriço e farinheira. Só há muito pouco tempo é que começamos a comer bifes, por exemplo”, começa por explicar. Ora e é precisamente esse o tipo de oferta que o seu novo espaço, Talho da Esquina, tem para oferecer, sem descurar o conceito de identidade portuguesa. “Como cozinheiro, sempre tive a preocupação de fazer restaurantes de identidade portuguesa. O restaurante tem carnes maturadas mas também conta com pratos de tacho ou forno, como forma de aproveitar por inteiro o animal.”

No menu, por isso mesmo, não faltam pratos como as moelas, a mão de cabrito, as costeletas, as entremeadas de porco, as asas de galo grelhadas e o bife da vazia — todos apresentados à mesa com o toque do chefe. Dentro das carnes maturadas, destaque para as três variedades disponíveis: costeleta de vaca de trabalho, com 60 e 210 dias de maturação e costeleta de boi castrado com 60 dias de maturação. A acompanhar há arroz, batata frita ou cozida e opções de legumes.

E numa altura em que inúmeras fontes nos alertam para o consumo excessivo de carne a nível mundial, o chefe acredita que o poder da mudança pode estar no consumidor: “Essa história de que temos de parar de comer carne não é verdade, temos é de deixar de comer carne ruim”, frisa.

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Chefe: Vítor Sobral
Conceito: Um restaurante de carne com identidade portuguesa
Horário: Aberto à segunda, das 19h30 às 23h30. De terça a sábado, do 12h30 às 15h30 e das 19h30 às 23h30.
Reservas: 213 900 997

Kai
Avenida Fontes Pereira de Melo, 41. Saldanha, Lisboa.

Henry Park trabalhava com Masaharu Morimoto, no Dubai, até de aceitar o desafio de chefiar o Kai, em Lisboa. Foto: DR

No novo Kai, na Torre de Picoas, em Lisboa, não há creme de queijo, fruta ou qualquer outro vestígio do denominado sushi de fusão. Aqui o foco é a cozinha japonesa no seu todo, no qual o sushi no seu estado mais puro está, naturalmente, incluído. O responsável por tudo isto trata-se de Henry Park, um jovem chefe contratado pelo trio de sócios Miguel Moreira, Pedro Nunes e Mário Cajada, ao restaurante Morimoto, no Dubai. “Na nossa opinião havia uma lacuna neste tipo de oferta na gastronomia portuguesa e, por isso mesmo, fomos procurar os melhores interpretes para o que queríamos e acabámos por encontrar o Henry, formado por aquele que é dos maiores discípulos da cozinha japonesa, o Masaharu Morimoto”, começa por explicar Mário. Mas Henry não veio sozinho. Parte da sua equipa do Morimoto quis acompanhá-lo no novo projeto. Os empresários portugueses consentiram. “Veio o subchefe dele — que é especializado em pratos tradicionais japoneses — um sommelier, uma pessoa de sala e um pasteleiro”, afirma Cajada que garante ainda que os novos moradores de Lisboa estão a adorar a cidade e o facto de terem um mercado de frescos tão perto. “No Dubai isso não existe. Aqui o Henry tem a oportunidade de ser o próprio a ir escolher o peixe (português e de grande qualidade) que quer trabalhar e isso para ele foi uma boa surpresa.”

Devido às largas dimensões do espaço, os responsáveis optaram por dividi-lo em dois: no piso de baixo está o restaurante japonês Kai, onde se destaca o balcão de grandes dimensões, como forma de “fomentar a proximidade com o cliente” e no piso de cima mora a cafetaria e pastelaria Simpli, um espaço especializado em café, com uma oferta de pães de fermentação lenta e sobremesas (da responsabilidade de Hendrik Pretorius, o pasteleiro que veio com Park do Dubai). “Eu sou um apaixonado por café! Já tinha uma loja no Rato e acabei por abrir uma segunda aqui”, revela Mário.

Apenas dizer que todos os dias há um menu de degustação diferente, consoante a criatividade do chefe e ainda opções à la carte. Vazia com cogumelos chanterelle, brócolos, espargos e molo wafu, costeleta de porco com repolho de napa e arroz, negitoro maki, tekka maki, niguiris e sashimis (de atum, salmão, pargo, enguia, entre outros) são alguns do pratos que por estes dias vai encontrar neste Kai, sempre com a presença de Henry e da sua equipa.

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Chefe: Henry Park
Conceito: Cozinha tradicional japonesa.
Horário: Aberto todos os dias do 12h30 às 15h30 e das 19h30 às 23h30.
Reservas: 213 521 113

Esqina Gastro & Cocktail Bar – Hotel Esqina Cosmopolitan Lodge
Rua da Madalena, 191-193. Chiado, Lisboa.

Este Bife de Novilho com puré de batata é um dos novos pratos do chefe argentino Nicolás Lopez. Foto: Carlos Vieira

Depois da aventura do Esqina Urban Lodge — um hotel aberto em 2017 que encorajava os seus hospedes a saírem à descoberta da cidadede Lisboa — os sócios Diogo Martinez, Pedro Drummond Borges e José Maria Pereira quiseram fazer precisamente o aposto e fizeram nascer este ano, o Esqina Urban Cosmopolitan. No novo espaço, a ideia é criar uma comunidade cultural dentro do próprio hotel, com uma oferta variada de atividades, desde exibições de filmes, workshops diversos, concertos, residências a inaugurações de arte.

Para completar essa oferta, nasceu inserido no hotel um Gastro & Cocktail Bar, da responsabilidade do argentino Nicolás Lopez. “Conheci um dos sócios, Pedro Drummond Borges, através de amigos. Combinámos cozinhar em casa dele e a partir daí vimos que tínhamos visões parecidas. Passados quinze dias estava a mudar-me para Portugal”, começa por explicar o chefe. Segundo Lopez, o restaurante tem muito presente o conceito do hotel onde está inserido, na medida em que “tenta ser um ponto de encontro dos que vivem cá e dos que vivem cá com pessoas que nos visitam”. Talvez por isso, predominam na carta os produtos portugueses sazonais, “confecionados com detalhes ou combinações de sabores que tentam surpreender”.

Completamente rendido a Portugal, o chefe de 36 anos conta com experiências profissionais em países como Venezuela, Austrália, Estados Unidos, Noruega e Chile. Antes de se mudar para Portugal, era o responsável pelo Villanos en Bernudas, na Colômbia [o número 15 da World’s 50 Best da América Latina, no ano de 2018]. “Portugal é um país riquíssimo. Desde a Colômbia que pratico uma cozinha muito atenta à sazonalidade, mas aqui tudo ganha outra dimensão! A oferta de peixe permite-me recorrer mais a este elemento para além do que a natureza nos dá. A minha cozinha é uma cozinha ligada ao que a terra nos dá, com simplicidade, mas muito rica em sabores, atenta aos detalhes.”

Dentro dos seus pratos favoritos do restaurante, Nicolás destaca o tártaro de cordeiro, as sardinhas com melão e pimento vermelho e o flã̃ de doce de leite com natas — uma sobremesa que celebra as suas raízes argentinas.

Chefe: Nicolás Lopez
Conceito: “Cozinha que respeita a sazonalidade, simples e rica em sabores.”
Horário: Aberto todos os dias. Ao almoço, do 12h30 às 15h e ao jantar das 18h às 22h3
Reservas: 210 522 735