Despertar para uma cozinha vegetariana bem feita é a ideia base do Fava Tonka, o novíssimo restaurante de Nuno Castro e Ricardo Rodrigues — a dupla responsável por Esquina do Avesso e Terminal 4450 — que pretende conquistar o paladar de todos: do fundamentalista vegetariano ao mais fiel carnívoro.

FICHA TÉCNICA:

Nome: Fava Tonka
Chefe: Nuno Castro. Natural do Porto. Iniciou-se no Sheraton Porto, tendo passado a norte pelos restaurantes Cafeína, Capa Verde, Paparico e hotel BH Foz. Pelo meio, somou passagens por Inglaterra e Escócia. Atualmente é chefe consultor no Terminal 4450 e na Esquina do Avesso.
Conceito: Cozinha sazonal e orgânica com matriz vegetariana
Dica: Nas sugestões liquidas, espere uma oferta considerável de vinhos biodinâmicos e naturais. Sumos, chás, cervejas artesanais, cocktails e kombuchas artesanais são outras das opções. Já o café servido é proveniente de dois lotes especiais, feitos em parceria com a Flor da Selva.
Morada: Rua Santa Catarina, 86. Leça da Palmeira
Telefone: 915 343 494
Horário: Aberto de segunda-feira a domingo, do 12h30 às 15h e das 19h30 às 23h. Encerra à terca-feira

Na ideia

Além da relação profissional que liga o empresário Ricardo Rodrigues ao chefe de cozinha Nuno Castro, existe entre os dois um elo de amizade. Há dois anos, decidiram ambos mudar os seus hábitos alimentares ao mesmo tempo, eliminando a carne quase por completo da sua dieta. A verdade é que hoje já sentem os benefícios da mudança. “Ganhei energia e sinto-me mais desperto mentalmente”, garante o chefe. Dada à recente condição, começaram a observar nas cidades de Leça da Palmeira e do Porto, algumas lacunas nesse tipo de oferta gastronómica. Vai daí, e seguindo o sucesso dos projetos Esquina do Avesso e Terminal 4450 (dos quais Nuno é responsável de cozinha), decidiram que aquele seria o momento ideal para, em conjunto, abrir um restaurante vegetariano, sem os habituais Seitan à Brás e derivados. “Queríamos oferecer aos consumidores um conceito vegetariano em condições e sem falsas pretensões”, começa por explicar Nuno. O nome Fava Tonka surgiu de forma natural, como a semente, nativa da Amazónia, bastante usada em produtos de cosmética e na cozinha como aromatizante. Despertar os clientes “para uma cozinha vegetariana bem feita” é um dos objetivos do chefe de 35 anos que garante querer ver o restaurante chegar a diversos tipos de público. “Não queremos fomentar nenhum tipo de estereótipo do restaurante nem das pessoas que o frequentam. Atenção: eu não pretendo vender saúde. Vou apenas ter atenção a pormenores que outros, por vezes, descuram.”

No ambiente

O Fava Tonka fica mesmo colado ao restaurante irmão, Esquina do Avesso, no qual Nuno manterá a consultoria. Esta nova casa apresenta no seu conceito uma certa “crueza”, ao mesmo tempo que é invadida por “muita luz natural”, que entra pelo restaurante através da claraboia que o abrange na sua totalidade. O espaço conta ainda com diversos apontamentos de granito e madeira – alguma dela proveniente da árvore que origina o fruto da Fava Tonka. Por falar nisso, perto da cozinha, na zona de empratamento, está um tronco de um eucalipto que serve de balcão, aludindo ao conceito de natureza implícito. 

Pormenores do espaço: alguns fermentados e os pães biológicos da Garfa. Foto: DR

Na mesa

Para construir a carta do Fava Tonka, Nuno visitou vários produtores, muitos deles locais. Esse trabalho resultou em 12 pratos iniciais, elaborados a partir de vários produtos sazonais e biológicos. “A ideia é que o produto dite o meu andamento e que possa cozinhar com o que a terra me oferecer”, frisa Nuno. Por isso, não será de todo estranho que à mesa do restaurante encontre uma criação onde o produto principal é trabalhado de diversas maneiras. É o caso do prato ‘Tomates, requeijão e funcho’, onde o fruto assume as texturas de granizado, de gelado e de gelatina. “Vou olhar para os legumes como olho para um pedaço de carne. Vou explorar texturas, cores e estética. E pouco ou nada terei de intervir se o produto for bom.” Aqui, Castro não pretende ser fundamentalista, por isso vai trabalhar com produtos derivados de animais, como a manteiga, as natas ou o leite – cuja feitura o chefe pretende acompanhar sempre de perto. Por falar nisso, à mesa do Fava Tonka chegará também em breve um queijo vegan e o pão biológico da Garfa.

Com o passar do tempo, o chefe pretende diminuir açúcares, carboidratos e introduzir mais sobremesas vegetais – no primeiro menu vai contar apenas com uma deste género. “As pessoas vão olhar para o Fava Tonka e perceber que tudo isto foi pensado com muito amor, paixão e dedicação. Este projeto é uma lufada de ar fresco para mim. É o primeiro restaurante em que também sou proprietário. Quero mesmo que o Fava seja um marco no meu percurso”, revela Nuno Castro, com um claro entusiasmo na voz.

Alcachofras, queijo da ilha e batata violeta é uma das novas propostas de Nuno Castro no Fava Tonka. Foto: DR