O novo morador do Chiado, em Lisboa, tem nome sonante. É Henrique mas não é Sá Pessoa. É Mouro mas na verdade é alentejano. Henrique Mouro, 40 anos, conta com uma experiência consolidada no meio gastronómico em Portugal. Passou pelos lisboetas Bica do Sapato e Tavares e, mais tarde, pelo Assinatura, em nome próprio. Em 2001, ganhou o título de Chefe Cozinheiro do Ano. Entretanto, fez consultorias em restaurantes no Alentejo e em Vila França de Xira. E agora, de volta à capital, inaugurou nos primeiros dias de julho, um conceito em que das entradas às sobremesas, tudo leva arroz. É o Bagos Chiado.

Situado no ‘food district’ mais emblemático da cidade, o chefe garante que a localização não foi muito pensada mas com os turistas a passarem à sua porta todo o dia e a vizinhança dos restaurantes de José Avillez, do homónimo Sá Pessoa e de Ljubomir Stanisic, não há como negar a importância de ali estar. “Sim, gosto de estar perto dos que são bons. Isso torna-nos melhores também”, avança enquanto ultima os preparativos para os almoços executivos. Em plena cozinha aberta, e sempre disponível para os comensais, está a grelhar pernas de frango e carne que embebeda numa mistura de molho de vinho tinto. Junto dele, estão os sub-chefes João Magro e David Gonçalves.

Para acompanhar as pernas de frango – e na verdade todas as outras opções disponíveis – há um ingrediente comum. Mas porquê o arroz? “Sempre gostei. E os portugueses também! Na verdade, queríamos um elemento diferenciador. Acredito que cada vez é mais importante para o cliente poder escolher um restaurante por tema”. Carolino, agulha, tailandês e basmati são apenas algumas das variedades já experimentadas pelo chefe. Em breve, “vamos introduzir mais” como o “glutinoso com bacalhau num “nigrini”‘ (7€). O ‘de ligueirão com limão e açafrão das índias’ (16€) e o ‘de cogumelos com queijo e bochechas de porco’ (17€) são outras das propostas que por lá pode encontrar. De resto, o menu é baseado em produtos tipicamente portugueses, já que como afirma: “Nunca saí das origens da cozinha portuguesa. Está-me no sangue, não posso fugir.”

O maior desafio foi mesmo “colocar o arroz nas sobremesas”. Nesse dia, o chefe ia servir no menu executivo de almoço, ‘cheesecake de arroz doce’. Na semana passada, apresentou tiramisu e souflé de arroz doce. Este último “funcionou muito bem”, garantiu.

O menu a la carte está sempre disponível e varia consoante a estação do ano. Durante os dias da semana, ao almoço, os menus têm preços de 12€ e 15€. O primeiro inclui uma entrada ou sobremesa e um prato principal. O segundo,  três pratos. Em ambos, há a opção vegetariana, mas o chefe vai ainda mais longe: “todos os pratos da carta podem tornar-se em vegetarianos, basta tirar a proteína e acrescentar mais alguns ingredientes”. Para beber, há uma oferta de 70 referências, todas portuguesas. Brancos, tintos, rosés, espumantes portugueses e cervejas artesanais fazem parte do lote de escolha.

Em jeito de retrospectiva, olhando para quando começou a sua caminhada, em Lisboa, o chefe reconhece que embora já se vissem “jovens a atacarem com força e a lançarem-se em novos projetos, hoje essa perspectiva ainda é mais evidente. Em termos de mentalidade, perspetiva e valorização daquilo que é nosso, o pessoal acredita agora mais e abre novos espaços. O próprio Bagos também é um risco. Mas temos de dar o nosso melhor e avançarmos”. Quanto ao futuro, as expetativas são boas. “Daqui a um ano vamos estar a bombar”, garante.

Contatos:
Bagos Chiado
Rua António Maria Cardoso n.º 15-B, Lisboa
Aberto de terça-feira a sábado, do 12h às 15h e das 19h30 às 22h30