O Hub Criativo do Beato, localizado nas antigas fábricas da Manutenção Militar do Beato e da responsabilidade da Startup Lisboa, apresentou recentemente aquele que será um dos seus residentes. Chama-se A Praça e quer privilegiar os produtos e os produtores portugueses. Abre em 2021.

Quando em 2018, a Startup Lisboa lançou um concurso a empresas criativas e convidou a que apresentassem projetos novos e inovadores na área da restauração e comércio que pudessem ter lugar nas futuras instalações do Hub Criativo do Beato, Cláudia Almeida e Silva prontamente respondeu. A responsável, com mais de 15 anos de experiência na área do retalho, acreditava que se tinha vindo a perder uma certa valorização pelos produtos portugueses. Foi essa ideia que a levou a apresentar um projeto, que chamou A Praça, um espaço de restauração com um mercado totalmente focado naquilo que é português. Segundo palavras da responsável, A Praça será um espaço onde se vão reunir produtos “de grande qualidade, sustentáveis e acessíveis a todos, mostrando a riqueza da nossa biodiversidade e dos nossos produtos desde o azeite, à charcutaria, ao queijo, vinho ou fruta”. Será um lugar “informal de convívio para provar, comer, comprar e aprender ao mesmo tempo.”

O novo projeto de restauração e comércio vai estar alojado em dois edifícios com uma área de 1700m2, onde estava localizado uma antiga Fábrica de Carnes e um antigo Edifício Administrativo e Oficina que faziam parte da Manutenção Militar de Lisboa. Com o propósito de reforçar a identidade do que é nacional, foi feita uma seleção “cuidada e rigorosa” de produtos frescos, biológicos e artesanais de pequenos e médios produtores nacionais. Para já, a novidade é que esses produtos estão disponíveis para venda n’A Praça Digital (plataforma lançada este verão), que já está a fazer entregas a casa nos concelhos de Lisboa, Cascais, Sintra e Setúbal, e conta com mais de 140 produtores e 700 produtos na sua loja.

Para 2021, está prevista a inauguração do espaço físico do mercado mas também de um conjunto de lojas que estarão alojadas n’A Praça e do qual fazem parte um refeitório com uma cozinha aberta dedicada ao produto luso, um talho de carnes autóctones portuguesas, uma peixaria com grelha, um mercado de produtos frescos, um espaço vegetariano, uma adega, um espaço dedicado ao azeite, uma padaria e uma pastelaria de produção local, uma queijaria e uma charcutaria artesanal e ainda uma mercearia a granel com oferta de produtos biológicos. Bernardo Agrela e Francisco Sousa Magalhães serão os chefes de cozinha residentes.

E porque o objetivo do projeto é dar a conhecer os produtores e as suas histórias, nascerá ainda no mesmo espaço um fórum que funcionará como um ponto de encontro entre os produtores nacionais e o público. Nos planos estão também previstas as inaugurações de uma escola dedicada à aprendizagem e partilha de conhecimentos de temas relacionados com a alimentação, a sustentabilidade e a cozinha portuguesa e de um espaço dedicado a startups portuguesas ligadas à área da gastronomia.

Além da oferta de produtos e serviços, a Praça também assume três compromissos que passam pela sustentabilidade, a inovação e o lado social. É por isso, que na vertente da sustentabilidade, o projeto “compromete-se a promover e apoiar apenas os produtores que pratiquem uma produção artesanal, sustentável e biológica, revelando assim o respeito pelos diferentes ciclos das estações e pela promoção de práticas de economia circular e minimização de desperdício”. Já nas vertentes da inovação e social, há planos de criar várias hortas urbanas que vão servir as diferentes cozinhas da Praça, bem como, os próprios clientes. Prioridade é também a integração com a comunidade do Beato em conjunto com outras entidades públicas e lançar uma Bolsa de Refeições Social para possibilitar o acesso a refeições por parte de famílias carenciadas da região.