Em plena segunda guerra mundial, muitos foram aqueles obrigados a abandonar as suas casas e a emigrarem para países denominados de neutros e, por isso, considerados mais seguros. Portugal foi dos escolhidos por muitas famílias. Resultado disso é Lisboa ter-se tornado num palco de passagem para quem fugia da guerra. Daí, hoje em dia, o número considerável de descendentes húngaros em Portugal, já nascidos no nosso país.
Miguel de Pape, atual presidente da Associação Portugal-Hungria, é um desses casos, cujo avô húngaro acabou por se apaixonar por Portugal e por uma portuguesa – a sua avô. “A história deles é muito engraçada e romântica”, afirma. Dessa união nasceu o seu pai que lhe passou a paixão pelas origens. Em 2014, decidiu criar uma associação que fomentasse a união entre os dois países. “Procuramos divulgar atividades culturais, musicais e gastronómicas, entre as comunidades de Portugal e da Hungria”, justifica. Klára Breuer, embaixadora do país em Portugal, acrescenta: “Colaboramos muito em conjunto. Quando há eventos dessa natureza, a Anna Kiss, a minha cozinheira prepara sempre a sopa goulash – comida típica da Hungria”, acrescenta.
Ora o facto de Anna Kiss, a cozinheira de Klára Breuer, e o marido, Tibor, se prepararem para voltar ao seu país no início do outono, depois de cinco anos em Portugal, foi o pretexto para um jantar de despedida, na Embaixada da Hungria, com direito a três pratos tradicionais.
O ‘Goulash’ foi o primeiro a ser confecionado. Indispensável na alimentação húngara “funciona como a nossa feijoada. Toda a gente sabe fazer”, confessa Miguel de Pape. “Esta receita espalhou-se pela Roménia, Ucrânia, Sérvia, Eslóvaquia, Império Austro-hungáro. Cada família faz à sua maneira”, confessa.
Este prato típico leva carne, legumes e condimentos especiais. Entre eles a paprika (o nosso colorau), elemento que a cozinheira considera ser “essencial para os nossos cozinhados. Esta especiaria foi trazida há muito tempo pelos espanhóis e por vocês, portugueses. Está entre o pimento e as malaguetas”.
Segue-se na ementa ‘Lescó’ – o prato principal e, à partida, a refeição mais saudável e leve deste menu – “funciona como um ratatouille”, confessa Anna. Como não podia deixar de ser, a sobremesa é ‘Vargabeles’ – uma espécie de aletria com queijo e passas que vai ao forno. Na ajuda ao jantar desta noite, está Tibor Kiss que incansavelmente auxilia a mulher, durante a confecão dos pratos. Uma boa dupla que agora regressa a casa.
São 20h e a comida está feita. Em cheio. Começámos às 17h. Segue a festa. Entre garfadas à boca e vinho húngaro, há espaço para uma conversa com Tibor que nos confessa adorar vinho português e e a nossa meteorologia. Vou no início do segundo prato e já estou bem. Tibor insiste em servir-me mais comida e vinho. Os húngaros são como nós: há sempre espaço para mais uma garfada e um copo de vinho tinto.
As semelhanças entre a cozinha dos dois países também são muitas. Especialmente no caso do ‘Goulash’. “Há muitos ingredientes comuns que portugueses e húngaros usam nas suas cozinhas. Por essa razão, acho que iniciativas destas iriam ter sucesso entre os portugueses,” refere a embaixadora. E há espaço para essas iniciativas? Claro que sim. “Ainda estamos em fase de testes. Mas queríamos abrir o convite a mais pessoas no futuro”, acrescenta.
Visite o site para informação sobre jantares futuros.
