O nome é inspirado no homem responsável pela atribuição do quinto gosto básico, o umami. Kikunae Ikeda, professor e cientista da Universidade Imperial de Tóquio fez a descoberta em 1908 mas apenas em 2000 é que foi reconhecido pela comunidade. Para os mentores do projeto, que pretende ser um local de referência na cozinha asiática, o nome faz todo o sentido, já que o intuito é “despertar sensações ao nível do paladar”.
Abriu as portas a 4 de julho em regime de soft-opening, e oficialmente desde o primeiro dia do mês de agosto. “Queríamos afinar a máquina”, conta Tiago Branco, o gerente, que num mês encheu a casa seis vezes. Cá dentro, o espaço minimalista conta a história das tascas e espaços informais no Japão (conceito Izakaya). Pode escolher sentar-se num dos reduzidos lugares ao longo do balcão, e observar os sushimen a preparar a refeição. Passando para a sala principal, Ima, foi pensada para as refeições que se estendem no tempo. Aqui, no teto descansam 3000 origamis feitos à mão, uma tradição japonesa secular que consiste em dobrar papel sem o cortar ou colar, fazendo figuras.

Duas décadas de amizade
Agnaldo Ferreira e Christian Oliveira, os chefes e amigos de longa data, conheceram-se em São Paulo, terra que os viu crescer, há mais de 20 anos. A paixão pela cozinha nipónica, assim como as inúmeras viagens, fizeram com que ambos obtivessem conhecimentos e técnicas especializadas. A vida levou-os a Portugal, onde seguiram caminhos diferentes, com a certeza, porém que se voltariam a encontrar. Agnaldo foi recebido pela capital onde trabalhou no Estado Líquido e, mais tarde, foi chefe executivo do Yakuza. Em 2014, abriu a taberna japonesa Hikidashi, em Campo de Ourique. Christian Oliveira rumou a bom Porto tendo passado pelo Gull e o Terra.
A oportunidade surgiu e juntos decidiram inaugurar o Ikeda. Para Christian, em Portugal o “sushi não está uma fusão mas sim uma confusão” e não entende como é que num país com uma costa tão rica não se enaltece o peixe no prato. “Morangos e amoras são para a sangria”, afirma. A carta de bar foi também a grande aposta dos fundadores. Miguel Martins, que já passou por locais como o The Yeatman e Hard Rock Caffe, é o bartender responsável pelos cocktails feitos com mais de 30 referências de sakés.
Do Oriente para o Ocidente
Na carta, para além de sushi, sashimi e ramen – pratos típicos da cozinha japonesa, podemos encontrar carne wagyu, okonomiaki (panqueca frita) ou yakitori (espetadas de frango). Existem ainda criações que foram “ocidentalizadas” como o ‘Black cod’, em que a posta de bacalhau é marinada em molho miso e yuzu.
A partir de setembro existirá ainda o menu de degustação, que incidirá sobre a especialidade da casa, o sushi. Para isso, os chefes vão usar e abusar do peixe da costa portuguesa incluindo “algum pescado dos Açores” e os tradicionais robalo, atum e cavala. Este menu será para um grupo limitado de pessoas e acontecerá numa sala privada, dedicada a eventos exclusivos. Para além do balcão e das duas salas existe ainda uma esplanada. La fora, está o Niwa, um jardim exterior desenhado para que no ar se sinta a atmosfera nipónica que também se sente no chão de madeira queimada através da técnica japonesa, Shou Sugi Ban.
Para Tiago, que optou por não comunicar a abertura para não haver uma grande afluência de pessoas, conta que o último mês superou mesmo as expectativas. “Nas duas últimas semanas enchemos a casa seis vezes”, revela satisfeito. Agora é continuar.
Contactos:
Ikeda
Morada: Rua do Campo Alegre, nº 416
4150-170 Porto,
Telf.: 915 499 363
Horário: Aberto para almoços e jantares, de terça-feira a sábado.



