Shay Ola, mentor de um dos mais conhecidos pop up dinners de Londres, The Rebel Dining Society, escolheu Lisboa para abrir o seu novo restaurante. Fica no Bairro Alto, chama-se Queimado e, como o próprio nome indica, nele tudo é confecionado sobre fogo. Mas sem queimar.

FICHA TÉCNICA:

Nome: Queimado
Chefe: Shay Ola. Começou por criar o pop up dinner The Rebel Dining  Society e mais tarde abraçou a consultoria. Ainda antes de chegar a Portugal teve um restaurante mexicano chamado Death by Burrito, em Londres (e lançou um livro com as receitas).
Conceito:
Cozinha em barbecue com influências europeias e sul-americanas. Nas palavras de Shay no Queimado pode encontrar “comida simples, saborosa e divertida”.
Menu: À la carte e menu de almoço
Dica:
Além de tratar do que se come no Queimado, o chefe também assina a carta de bebidas com seis cocktails (Atenção: às sextas e sábados, há happy hours das 12h-00h).
Morada:
Rua Luz Soriano, 44-46. Bairro Alto, Lisboa.
Telefone:
213 960 662
Horário:
Aberto de terça a sexta, do 12h às 15h e das 18h30 à 00h30. Sábado das 18h30 às 20h30. Ao domingo das 16h às 22h.

Na história

Shay Ola já viveu por dentro dos mundos da música e do design, mas foi na cozinha que acabou por encontrar o expoente máximo da sua criatividade. Tudo começou nos barbecues que organizava para amigos em parques londrinos — que de evento para evento via o número de interessados a aumentar — e culminou na abertura do The Rebel Dining Society, que acabou por tornar-se num dos mais conhecidos pop up dinners de Londres. Os ecos desse projeto abriram-lhe o caminho para a consultoria de marcas, a abertura do seu primeiro restaurante e a oportunidade de conhecer boa parte do mundo. Foi numa dessas ocasiões que o chefe inglês se cruzou com Lisboa. “Eu estava em Berlim em trabalho e decidi ir passar uns dias a Lisboa em férias, adorei e fiquei. Não pensei muito no que faria depois disso, logo se via”, começa por explicar.

O amor por Portugal cresceu rápido e assim se manteve, tal como Shay, que tem morada fixa na capital há já dois anos e meio. Durante esse tempo, afirma, teve vontade de abrir vários projetos mas as suas ideias acabavam sempre por ser antecipadas pelas mãos de outros, cujos trabalhos aplaude. “Não queria ser mais um, queria oferecer um serviço e um tipo de comida diferente. Por isso, esperei até o momento ideal”, conta. Esse momento aconteceu há cerca de um ano quando pensou que poderia voltar aos primeiros tempos na cozinha e usar o fogo como elemento principal de confecção. Assim nasce o Queimado, um restaurante onde o grelhador de carvão é quem guia Shay na sua cozinha de influências pelo mundo. “Este não é um restaurante onde tu vens, sentas-te, comes e pronto acabou. A ideia é ficares e aproveitares o espaço, as cores e divertires-te.”

Antes de abrir o Queimado, Shay já tinha pensado em dois ou três conceitos que nunca chegaram a ver luz do dia. Foto: Humberto Mouco

No espaço

Shay sempre gostou de pensar todos os seus projetos de raiz e, por isso mesmo, tudo o que está à vista do novo restaurante, incluindo mesas, cadeiras e cozinha — que assumem como cores principais o rosa e o azul — foram idealizadas e feitas por si. “A única coisa que eu não toquei foram nas janelas”, diz a rir. A visualização do espaço estava toda na sua cabeça até conhecer a atual namorada, Hannah, e esta mudar tudo, para melhor. “Apresentou-me uma alternativa em termos de espaço. Como vês, é pequeno e nós queríamos que as pessoas se sentissem confortáveis, por isso não podia ser nada muito claustrofóbico. Não acho que haja nenhum espaço em Lisboa assim, em termos de design, cor e estilo”, conta. Quando questionado sobre a localização do restaurante, o chefe mostra-se confiante e acredita que sítios como o Queimado podem mudar o Bairro Alto para melhor e retirar a carga negativa associada a esta área. “O Essencial [de Andre Lança Cordeiro] também abriu aqui perto. É sinal de alguma coisa.”

Através das janelas do balcão consegue-se ver tudo o que se passa na cozinha de Shay Ola. Foto: Humberto Mouco

Na mesa

Apesar do estilo de cozinha do restaurante não ser português, este vive da influência do país, assim como de todos aqueles por onde o chefe já passou. ”Eu sou de Londres mas já vivi noutras cidades europeias. As minhas origens são africanas mas já tive um restaurante mexicano e agora estou em Lisboa”, recorda. Resumindo, no Queimado é possível encontrar elementos cozinhados inteiramente (ou parcialmente) no grelhador a carvão, caso dos tacos de cabra, adobo de tres chiles e lima chamuscada aioli, da cebola assada com flatbread caseiro grelhado e queijo amanteigado de ovelha português — um dos pratos favoritos dos chefe em que as cebolas ”são cortadas no dia anterior e deixadas no frio durante a noite” —, das patas de caranguejo com manteiga miso ou ainda do bestseller da casa, o smoked bone marray, sabayon, citrinos e rabanetes. ”É muito difícil conseguir esta carne então estamos sempre a esgotar o prato”, revela. Apesar dessa dificuldade, o chefe considera que em Lisboa é mais fácil conhecer os produtores e seguir o seu trabalho de perto do que em Londres, por exemplo: “A qualidade dos produtos portugueses também é muito boa.”

Outras das particularidades deste restaurante é que ao domingo é servido um menu de brunch sempre com um chefe convidado e cocktails à mistura. Os pratos não são nada do que se espera encontrar.  Para se ter uma ideia, no primeiro fim de semana de abertura Shay serviu waffle com coelho frito. “O que nós queremos é ser um espaço descontraído, com comida simples, saborosa e divertida, e onde, ao domingo, as pessoas possam vir depois da praia, para relaxar. Eu próprio, como cliente, já sentia falta de um espaço assim.”

Estas patas de caranguejo com manteiga miso fazem parte do menu inicial do Queimado e mantém-se com sucesso na lista de escolhas. Foto: DR