Iniciou a sua carreira no Hotel Casa da Calçada por onde ficou durante cinco anos. Em 2010, também ao lado de Ricardo Costa abraça o projeto The Yeatman, no Porto, terra que o viu crescer. Com apenas 30 anos, João Oliveira já fez parte duma equipa que recebeu uma estrela e também já esteve do lado de quem a perdeu (em 2007, na Casa da Calçada). Conta-nos como é importante a equipa não ficar na expetativa de um prémio, porque afinal, esse é só um reconhecimento do trabalho feito até então. Ainda assim, do outro lado do telefone é impossível não se sentir o sorriso rasgado quando lembra a noite que passou. “Significa que, os últimos 14 anos, nos quais sacrifiquei muita coisa pessoal, valeram finalmente a pena”, diz quando lhe perguntamos o que significa tal prémio.
Chegou à Praia da Rocha para ingressar no projeto do Hotel Bela Vista, em 2015. No restaurante, prepara menus com peixe fresco da nossa costa. O importante é a sazonalidade do pescado e, por isso, procura utilizar mesmo as espécies menos conhecidas do público. “Vai continuar tudo exatamente igual, com o mesmo conceito. Peixes novos e frescos. Não vamos mudar a nossa identidade só por causa de uma estrela”, conta.
O convite para a cerimónia nas Ilhas Canárias já tinha chegado há meses. Para evitar os burburinhos e o frenesim entre a equipa, João Oliveira preferiu não contar nada até poucos dias antes do evento. Afinal, não queria que nada mudasse. Estava na iminência de receber uma estrela Michelin para o Algarve, mas acima de tudo queria manter a serenidade da sua equipa e continuar o seu bom trabalho. Em 2016, João sentiu que os cozinheiros ficaram afetados com a pressão dos media e dos comentários expectantes e, por isso, este ano não quis gerir novamente emoções. “Acho que foi esse o segredo para que eles trabalhassem bem. No fundo, o mais importante é que todos sabíamos que, quer ganhássemos ou não, iríamos continuar juntos”.
Por agora, João afirma que tudo vai continuar igual no Vista. Pelo menos, até janeiro, altura em que o restaurante fecha por cerca de dois meses. “A minha equipa vai fazer estágios para alguns restaurantes durante três semanas e depois vai de férias. Eu vou desaparecer do país. Vou para a Argentina, Chile e Peru fazer uma viagem com a minha mulher”, conta. Este é o tipo de viagens em que o chefe aproveita para explorar os países de forma gastronómica e trazer produtos novos. Seja num mercado local ou numa banca de rua. “Há coisas que uma pessoa desconhece por completo e só com estas viagens é que consegue evoluir”.
Quanto ao futuro pode ser incerto, mas para João não sobram dúvidas: “Quero ser a mesma pessoa que fui até agora, só isso”.
