O projeto Café Garret está a chegar ao fim. O anúncio surgiu pelo próprio chefe Leopoldo Calhau, que fundou a cozinha que se prova desde há dois anos no foyer do Teatro Dona Maria II, em Lisboa.
Este Garrett foi o café que nasceu para servir o teatro. Leopoldo Calhau deu-lhe vida e foi a cara do projeto, até então. Arquiteto de formação, transporta o seu processo criativo para a gastronomia, dando ênfase à pesquisa e ao contacto com o terreno. O Alentejo, ou melhor, “o Baixo Alentejo”, como sublinha, é o que se destaca nos pratos de linha mediterrânica, muito portuguesa e fiel à regionalidade. Lá reconhece as suas raízes. Apesar de nascido em Lisboa, viveu no Alentejo, terra dos seus pais, onde “muito se aprende”, afirma. Assume-o como um “capricho”, embora seja, para ele, uma necessidade: olhar o Alentejo, tê-lo em mente.
Promete seguir com o caminho que construiu, tirando para já algum tempo para viajar, aprender, provar e voltar a provar as suas criações. Uma mudança que encara como oportunidade para se revisitar, repensar e reciclar. Ainda em análise, conta já com algumas possibilidades para poder dar continuidade à sua cozinha. Com os filhos e vida por Lisboa, manter-se na cidade é provável, mas não pretende fechar nenhuma porta. De resto, sabe o que procura. Um espaço mais seu, dedicado exclusivamente à gastronomia e àquilo que diz saber fazer bem. Pretende desprender-se das gestões inerentes ao funcionamento de um restaurante, focando-se ao máximo na cozinha e nos vinhos. “Foi a cozinha que me trouxe para o mundo da cozinha e não o resto”.
Quanto ao espaço do Rossio, manter-se-á o nome. Com o restaurante a fechar no dia 27 de maio, dá-se início a uma fase de transição que não se prevê muito longa. O testemunho passa para outras mãos, das quais pouco se sabe, a não ser a sua vertente vegetariana. O serviço de cafetaria para o teatro, esse, será ininterrupto. A equipa de Leopoldo sente que deixou de caber naquele espaço. No meio de exigências externas, corria-se o perigo de se estagnar um conceito tão íntimo e familiar, que, desde logo, não teve a visibilidade esperada pelo chefe.
Para a despedida, serão servidos menus especiais entre os dias 23 e 27 de maio, que incluirão alguns dos pratos presentes na carta. Todos diferentes e sem repetições, serão três composições, de três, cinco e sete pratos, com o custo de, respetivamente, 22,50€, 35€ e 47,50€ por pessoa. Preços reduzidos (também nos vinhos) que querem convidar a uma celebração e a “deixar saudade”.
