É um dos talentos da nova geração de cozinheiros em Portugal. A paixão pela cozinha não veio de berço mas hoje é o que o move a arriscar. Manel Lino é o nome por trás do mais recente restaurante Trio.

O projeto nasceu em julho deste ano, num espaço entre as Amoreiras e o Marquês de Pombal, em Lisboa, que outrora já tinha albergado um restaurante. “Abrir o Trio foi um risco grande. Eu pensei: é agora ou nunca. Se tiver que bater com a cabeça, prefiro fazê-lo agora do que com 40 anos”. O nome já é antigo, como o sonho. “O Trio tem o cliente como pilar principal. Nos outros dois lados estamos nós, os cozinheiros e o produto – que tem de ser bom”, refere. “Tento seguir as temporadas ao máximo. A minha definição de produto nobre é aquele extremamente bom, independentemente do segmento a que pertence. Queremos fazer o melhor possível, com as ferramentas que temos”, completa.

O RISCO DE ARRISCAR

Manel Lino está habituado ao risco. Em 2005, no último ano do curso de Cozinha decidiu que queria sair do país. E assim foi. Em Espanha, conseguiu a oportunidade de estagiar na cozinha do Mugaritz (duas estrelas Michelin), ao lado de Andoni Aduriz. Quando se apercebeu, tinham passado cinco anos e já tinha somado experiências em Girona, Valência e Sevilha. “A minha ideia inicial era ir a Espanha, ver e regressar mas quando acabei o estágio no Mugaritz não tive vontade de voltar, comecei a ver que havia mais para absorver”. Esta experiência, confessa, continua a influenciá-lo até aos dias de hoje.

Já com uma recheada bagagem de vivências, novas técnicas e uma linha de pensamento definida, é-lhe proposta uma boa oportunidade em Portugal. Regressa para arrancar com um novo projeto aliciante que envolvia Alexandre Silva. Localizado em Vila Viçosa, no Narcisus “tínhamos liberdade, tempo, uma boa equipa e sobretudo muitas condições. Foi um início bonito. A dada altura, o Alexandre decide ir por outro caminho e o projeto termina e volto para Lisboa”, refere. Abre ainda um food court no Mercado de Campo de Ourique e aventura-se durante três meses num restaurante pop up na Comporta. Segue-se o Tabik, já em Lisboa, onde confessa sentir-se preso em termos de criatividade. “Não podíamos arriscar muito. A cozinha tinha de ser muito acessível e descomplicada”, afirma.

SONHA, MANEL, SONHA

Com o sonho chega o Trio, a cozinha que pretende provocar nos clientes um “desconforto bom intrigante. Quero que o cliente fique a pensar nos pratos e no porquê de serem de certa forma e não de outra”, explica. Nos portugueses é mais difícil gerar esse sentimento porque “normalmente procuram o conforto”, confessa. “Hoje em dia há mais receptividade mas penso que vai ser sempre uma minoria disposta a sair da zona de risco”, finaliza.

As opções dividem-se em a la carte ou dois menus de degustação (três pratos a 38€ e cinco pratos a 50€), além do menu executivo (três pratos a 23€), disponível ao almoço. Relativamente ao último, o chefe de 29 anos, explica que “faria sentido ter uma oferta superior à dos nossos vizinhos e oferecer uma opção melhor, com conteúdo mais valioso”. Em relação à carta de vinhos, atualmente estão disponíveis 30 referências. O plano é até ao final do ano aumentar para 50, com ajuda do chefe de sala, Ricardo Cordeiro.

A paixão pela arte vive nas paredes do Trio, com obras dos street artists Tamara Alves e João Samina. “Dá-nos identidade ao espaço. Eles são como o Trio: jovens, irreverentes e arriscados. A própria arte e comida têm processos criativos semelhantes. Quando se cria um prato, parte desse processo é baseado em conhecimento e experiência. As minhas inspirações, às vezes, vem do momento, dos produtos da época e dependem muito do meu estado de espírito”.

É esperar e ver o sonho do Manel a ter forma. Enquanto isso, é comer no Trio que a carta convida.

Contatos:
Trio
Morada: Rua Dom Francisco Manuel de Melo, 36 (Campolide), Lisboa.
Telefone: 912 087 901
Reservas: [email protected]
Horário: De segunda a sábado, ao almoço das 12h30 às 15h30 e ao jantar das 19h30 às 22h30.