Em 2009, quando António Amorim se aventurou na competição de cozinha Chefe Cozinheiro do Ano, decidiu que aquela seria a hora de transformar um doce típico da cidade de Torres Vedras, local onde na altura trabalhava, em algo surpreendente. “Sabia que as pessoas olhavam com desconfiança para o pastel de feijão“. Percorreu uma dezena de estabelecimentos da área e começou a idealizar aquele que seria o doce que hoje vende em Alfama, na loja que abriu em meados de maio – a Fábrica do Pastel de Feijão. “Achei que faltava vida a todos aqueles pastéis que comi e pensei: não pode ser só isto”.
Dessa altura para cá, muito tempo passou, o sucesso do doce aumentou e houve até quem lhe tivesse tentado comprar a receita mas António Amorim, 38 anos, resistiu. “Não dou a receita a ninguém”, diz em tom sério. “Sou eu que faço todos os pastéis que vendo”. Até abrir a loja dos seus sonhos, o chefe desdobrava-se em satisfazer encomendas privadas e chegou a ter a sobremesa como opção na carta do restaurante A, em Torres Vedras – e que em 2014 ganhou o título de ‘Melhor Pastel de Feijão’, no concurso promovido pela cidade. “O meu pastel não compete com nenhum outro, porque não existe nenhum igual. É diferente no formato e na textura”. Na base, diz o chefe, leva feijão branco, amêndoa e ovo. O resto é segredo.
Na Fábrica do Pastel de Feijão, ao entrar, o destaque vai para o candeeiro, uma peça que resulta num conjunto de tachos vindos de França e idealizados pela empresa de design Involve. O espaço é pequeno e apenas senta quatro pessoas no interior e duas cá fora. No menu, há o pastel à fatia (2,5€), em caixas de quatro (10€) ou de seis (12€). Nas bebidas, há a opção a copo do vinho Bonifácio Sweet Branco “ideal para acompanhar o doce” e também de várias bebidas quentes e frias. Num futuro próximo, Amorim, vai ter disponível três tipos de baguetes com diferente recheios e croissants. “O espaço está feito para pegar na comida e levar”. É este o tipo de conceito que António gosta, tanto que num futuro muito próximo esperar abrir um Grab & Go de comida saudável, também em Lisboa.
Natural de Baião, António Amorim começou a sua formação de cozinha na Força Aérea, onde durante dez anos foi paraquedista. “A cozinha sempre foi a minha paixão deste miúdo”. Era hábito fazer uns turnos extra em hotéis do norte, enquanto militar. Assim que abandonou o serviço, foi aprender “o máximo possível” no Feitoria, onde trabalhou com José Cordeiro e João Rodrigues, durante dois anos. Entre 2013 e 2015, antes de se aventurar em Torres Vedras, como responsável de catering do Areias do Seixo e de outros projetos do grupo, somou passagens por espaços como Rota das Sedas, 100 Maneiras e Vila Joya. No entretanto, iniciou consultoria no El Clandestino, em Lisboa – depois de uma viagem ao México, onde esteve quatro meses – e nos restaurantes Pão À Mesa, na capital e Mundet, no Seixal. Recentemente inaugurou o Guaka, em Faro.
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