O Dia Mundial da Alimentação assinala-se a 18 de outubro, desde 1979, no âmbito da FAO (Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura), envolvendo 150 países que todos os anos tentam alertar o mundo para problemas relacionados com a fome e a pobreza.

O tema deste ano é ‘Climate is changing. Food and agriculture must too’, até porque a FAO estima que a população deva chegar aos 9.6 mil milhões em 2050. Do outro lado da moeda, as mudanças climáticas estão a colocar em perigo a segurança alimentar dessa mesma população. Os mais afetados, e também os primeiros a serem atingidos pelo aquecimento global e pelos desastres naturais relacionados com o clima, são os pobres – entre eles agricultores, pescadores e pastores.

Para solucionar esta equação, espera-se que a agricultura consiga adaptar-se aos efeitos adversos das alterações climáticas, tornando-se não só mais produtiva mas, principalmente, mais sustentável. A FAO sugere que se adoptem práticas de cultivo que consigam produzir mais em menos espaço, mas também a utilização criteriosa dos recursos naturais, além de uma redução drástica da perda de alimentos –  estima-se que todos os anos 1.3 milhões de toneladas sejam desperdiçadas. Esta mensagem da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura chega em vésperas da próxima Conferência sobre Mudança Climática da ONU, que ocorre entre de 7 a 18 de novembro, em Marraquexe.

Os números da FAO

  • 78% das emissões de gás metano são atribuídas à pecuária, que já é responsável por quase dois terços dos gases de efeito estufa.
  •  60% é o que a FAO estima que a produção agrícola deva aumentar até 2050, tendo em conta o crescimento da população mundial.
  •  40% de declínio das principais espécies de peixes, nos trópicos, até 2050. Uma zona onde os meios de subsistência dependem fortemente desta indústria.
  • 10-11% das emissões globais de gases de efeito estufa vêm da desflorestação e da degradação florestal.
  • 1.3 milhões de toneladas de alimentos por ano são desperdiçadas, o que significa que mais de um terço dos alimentos produzidos acabam no lixo. O metano emitido pela comida estragada é 25 vezes mais potente do que o dióxido de carbono.
  •  2030, ano é que a FAO quer que o mundo alcance a meta ‘Fome Zero’. A mudança climática é um desafio a ser tido em conta no sentido de continuar a luta contra a fome e alcançar este objetivo.