Lisboa petisca-se de uma nova forma, mas saboreia-se a Lisboa de sempre. A nova carta da Espumantaria do Petisco, assinada pelo chefe Vitor Hugo, estreou este dezembro. Com várias novidades, esta é uma proposta da empresa que acompanha também o lançamento de um espumante próprio.

É Lisboa que a cozinha da Espumantaria quer abraçar. Com o Castelo de São Jorge ao fim da rua e a vista para a outra ponta da cidade, este espaço ocupa uma antiga carvoaria (de 1835) que, fazendo parte na época, do quotidiano de muitos moradores, incluía já um anexo de casa de pasto que disponibilizava um pouco de abrigo, pinga e petisco. É neste enquadramento de ‘tipicidade’ lisboeta, que entra o chefe Vitor Hugo (ex-100 Maneiras, Eleven), cujo menu remete para alguns dos pratos mais reconhecíveis por todos os naturais e passantes da cidade. Como refere o próprio, “isto é aquilo que eu comia, com que cresci”, tendo passado parte da sua infância no Mercado da Ribeira, no Cais do Sodré, na companhia da família que lá vendia flores.

As referências ao petisco tradicional passam pelo bacalhau (em forma de brandade), as ervilhas com ovo escalfado (em sopa), o escabeche (de codorniz), a petinga frita, os peixinhos da horta, uma tábua de queijos onde se destaca o requeijão de produção exclusiva e para finalizar uma mousse de chocolate com a opção de com ou sem cheirinho. Todos os pratos são pareados com espumantes, sendo o novo da casa ‘DACASA’, o escolhido para acompanhar um arroz de garoupa malandrinho, definido pelo gerente como “a estrela” do menu e com direito a um frasquinho de piri-piri caseiro. A reinterpretação dos petiscos faz-se de forma simples e despretensiosa e não deixa de ser fiel aos sabores e elementos que os caracterizam. Uma cozinha atual e humilde de execução cuidada mas familiar.

Um dos pontos de passagem da Costa do Castelo (e que agora conta com o elevador para a Baixa, mesmo à porta), este espaço que entretanto passou por snack bar, mantém até hoje alguns dos materiais da carvoaria, como o tijolo de burro e os mármores, que embora renovados, preservam um ambiente industrial. O complemento às paredes da sala, é feito por duas ilustrações exclusivas do artista João Serrano, que retratam cenários de Lisboa, passados em esplanada.

Este empreendimento está a cargo do grupo Champ Lda. e é o seguimento dado à primeira Espumantaria, situada no Cais do Sodré (Espumantaria do Cais). Este ponto de passagem, já bem estabelecido na ‘rua cor de rosa’, era inicialmente conhecido como ‘Champanharia’, nome que viria a originar um grande dilema. Segundo Nuno Correia Pereira, um dos responsáveis da empresa, esta designação levava muitos visitantes a procurar champanhe, quando a oferta da casa era focada nos espumantes. O conceito era apenas uma referência à ‘La Xampanyeria’, em Barcelona que foi uma das inspirações para o negócio, e cuja especialidade é na verdade, o espumante catalão, Cava. Com a mudança para o nome mais esclarecedor e com estes dois espaços, a empresa conta também com o restaurante Peixola e encontra-se neste momento a reestruturar o antigo Clube Ferroviário.

Contactos:

Espumantaria do Petisco

Calçada do Marquês de Tancos, 1-1B, Castelo
1100-340 Lisboa
Tlf.: 965 515 200
Email: [email protected]