Engenheiros, arquitetos, designers e chefes juntaram-se na mesma cozinha para levar a gastronomia a um novo patamar de experiências. Tudo graças aos avanços da ciência, no que à prototipagem 3D diz respeito.

E se é verdade que as impressoras 3D – quando chegaram ao grande mercado no longínquo ano de 2014 – impressionaram pelas suas possibilidades criativas (e com velocidade 100 vezes superior à da década anterior). Hoje, apenas dois anos depois, o plástico dá finalmente lugar a outras matérias-primas. E a gastronomia está na linha da frente das possibilidades.

A Food Ink é uma empresa que promove experiências gourmet, em que todos os alimentos, utensílios de cozinha e até o mobiliário são produzidos com uma impressora 3D. E por que falamos de gastronomia, o plástico que habitualmente alimenta estas máquinas é substituído por húmus, mousse de chocolate, puré de ervilhas, queijo de cabra ou massa de pizza. O passo seguinte é transformar estas matérias-primas numa experiência gourmet.

Para dar a conhecer as possibilidades desta tecnologia, a Food Ink inaugurou o seu primeiro restaurante pop up em Venlo, na Holanda, no passado mês de abril, com um menu de degustação de nove pratos. Mas o sucesso foi tanto que a tour mundial teve que continuar. Os próximos ‘jantares-espetáculo’ têm lugar em Shoreditch, em Inglaterra, de 25 a 27 de julho. E espera-se que passem depois por Berlim, Dubai, Seoul, Roma, Tel Aviv, Barcelona, Paris, Amesterdão, Toronto, Nova Iorque, Taipé, Las Vegas, São Paulo, Tóquio, Austin, Singapura, Los Angeles, Cidade do Cabo, Sidney e Reykjavik.

As Origens

A Food Ink não é, no entanto, a primeira empresa a apresentar-se no mercado. Em 2014, a Natura Foods lançou a máquina Foodini, que consegue imprimir alimentos reduzidos a puré, acondicionados em cápsulas, que antes de serem consumidos precisam ser cozinhados. Um ano depois, a holandesa Chloé Rutzerveld apresentou a sua Edible Growth, outra empresa de produção de alimentos, desta vez saudáveis, a partir de impressoras 3D. Como afirmava no seu site pessoal: “a comida ‘high-tech’ ou produzida em laboratório não tem de ser nociva, artificial ou sem sabor”. E até já há uma portuguesa a trabalhar nesta área. Chama-se Susana Soares e tenta, desde 2011, fazer patês de insetos, em impressoras 3D, uma vez que acredita que são, não só a proteína do futuro, como uma forma de acabar com a fome no mundo. E até a NASA está de olho no potencial desta tecnologia já que pode ser uma alternativa aos alimentos espaciais demasiado processados. Os astronautas agradecem.