João Ferreira e António Carvalhão são amigos e partilham em comum a paixão pelo ramen, um prato típico japonês pelo qual criaram especial afinidade nos tempos em que viveram na Ásia. Nasce o Ajitama, o mais recente supper club de ramen de Lisboa.
Tudo começou em 2006 quando António integrou um programa de intercâmbio de estudos, na Universidade de Economia de Hiroshima, no Japão e apaixonou-se pela gastronomia do país. Por sua vez, João, que viria a viver na China cinco anos mais tarde, por razões profissionais, era hábito também fazer viagens recorrentes ao país. Os dois amigos, contam, partilharam com o tempo experiências “fascinantes” e apaixonaram-se pela cultura, história, tradições e, claro, a gastronomia do Japão. Em especial por um prato: o ramen. “Há uma complexidade envolvida na sua confeção, que resulta numa experiência gastronómica verdadeiramente rica e marcante”.
Em 2015, os amigos, sem qualquer background de cozinha, pensaram na ideia de fazer um supper club da especialidade em Lisboa. No início deste ano, de forma discreta, abriram o AJitama Supper Club, onde o palco é a casa de António, com um restrito lote de dez comensais. “Adotarmos este modelo de projeto gastronómico, permite-nos proporcionar ao cliente a experiência de partilhar o jantar com desconhecidos, com quem poderão conversar e, quem sabe, iniciar uma amizade”.
O ramen do Ajitama
Para os mais distraídos, o ramen é um prato japonês que combina noodles, com um ou mais tipos de caldo e um conjunto diversificado de toppings, “resultando numa combinação explosiva de sabores”. O preferido dos responsáveis é o tonkotsu, com “um caldo à base de porco e que demora 18 horas a apurar”. Os amigos desvendam que os melhores ramen das suas vidas foram efetivamente provados no Japão, apesar de considerarem impossível escolher qual foi o melhor. Assim, acrescentam que fora do país, gostaram muito de dois, um que comeram em Oslo, Noruega e outro em Edimgurbo, na Escócia.
Nas refeições do Supper Club, o tipo de ramen que confecionam é o shio ramen Ajitama, que combina noodles com dois tipos de caldo (um de carne e outro de essência do mar). Além dos ovos Ajitama (expressão popular chinesa para a palavra Ajitsuke Tamago) – um ovo mal cozido, que fica a repousar na noite da véspera de cada jantar num molho. E ainda barriga de porco – cozinhado lentamente – cebolinho, cogumelos enoki, entre outros. “Demorámos 13 meses a desenvolver a receita e a acertar pontos”.
O menu dos jantares, que acontecem todos os sábados, a partir das 21h30, é composto por um welcome drink (sakerinha de morango), uma entrada (salada Sunomono ou salada de feijão verde), um prato principal (o dito shio ramen Ajitama) e uma sobremesa (bavaroise de matcha). Acompanhado pelos vinhos Herdade dos Grous branco ou tinto e cerveja japonesa. “Queremos oferecer um ramen 100% artesanal e que recrie o melhor possível uma autêntica experiência gastronómica japonesa”. Em breve, é possível que se acrescentem novas receitas ao menu.
Na opinião de João e António, ambos com 33 anos, a abertura de novos conceitos gastronómicos japoneses, que se apresentem como alternativas ao sushi, “podem contribuir para a ideia preconcebida que essa cozinha se resume ao sushi”. E, ao contrário do que as pessoas pensam, “o sushi é comido de forma mais pontual. Já o ramen é mais frequente nas preferências diárias dos japoneses”.
Neste momento, a lista de espera para os jantares é de 400 pessoas, garantem os amigos. Antes que aumente este número, o melhor conselho é mesmo reservar um lugar por email para [email protected]. A morada será partilhada no momento da reserva. O preço, esse, não está definido. Cada comensal pode oferecer o valor que bem entender no final da refeição.




