Alameda, o jardim com quatro paredes de Rui Sequeira

No imaginário de Rui Sequeira, o Alameda já vivia há alguns anos. O sonho de outrora tornou-se agora realidade: o pupilo de Hans Neuner acaba de se estrear a solo em Faro para mostrar à mesa todo o amor pela gastronomia algarvia.

FICHA TÉCNICA:

Nomes: Alameda Restaurante & Rooftop
Chefe:
Rui Sequeira. Passou seis anos no Ocean em Porches, onde chegou a subchefe. Pelo meio, esteve em França, no restaurante Serge Vieira.
Conceito:
Cozinha feita à base dos produtos da região.
Dica:
Ao domingo há um brunch (17,90€) composto por um cesto de pão [com carnes frias, queijo e doce], tapioca doce, panqueca e opção entre dois pratos salgados (que mudam todas as semanas). Para beber há café ou chá. “Esta é uma oportunidade para testarmos novos sabores e depois usá-los ao jantar”, afirma o chefe.
Morada:
Rua da Policia de Segurança Pública, 10. Faro.
Telefone:
289 824 831
Horário:
Aberto de terça a sábado, das 19h30 às 24h. Ao domingo, das 11h30 às 15h.

Na história

“Eu gostava de, quem sabe, daqui a dez anos conseguir ter um restaurante pequeno com clientes que fossem lá para comer aquela comida, aquele menu por causa da [minha] cozinha.” A frase, proferida em 2012 pelo jovem Rui Sequeira, num vídeo promocional para o concurso televisivo Top Chef, parece hoje premonitória. A verdade é que nem foi preciso uma década para tal acontecer: foi já no final de 2018 que o cozinheiro algarvio realizou o desejo de ter o seu próprio espaço, na sua terra natal, em Faro — o Alameda Restaurante & Rooftop.

Após seis anos ao lado de Hans Neuner no Ocean, onde chegou a subchefe, e de uma curta experiência em França, no restaurante de Serge Vieira, Rui conta que sente agora a segurança e a maturidade — profissional e pessoal — necessárias para voar sozinho. Apesar das novas asas, não esquece o que aprendeu. “[O Ocean] Foi a minha grande escola. Apesar de lá ter ficado muito tempo, nunca senti que tivesse parado de crescer. E agora posso usar na minha cozinha todo o know how em termos de produtos algarvios — afinal essa sempre foi a linha traçada pelo chefe”, começa por explicar o jovem de 27 anos.

A procura de espaços começou há um ano, altura em que Rui e a sua parceira de negócios (e de vida), Neide Monteiro, acabaram por se cruzar com os atuais sócios — cujo plano era abrir uma guesthouse, um restaurante com rooftop e ainda uma concept store. “Ficámos com a parte do projeto ligada à restauração. Como entrámos numa fase embrionária, esses dois espaços foram pensados por nós a nível visual e também em termos de conceito”, conta o chefe. O responsável revela ainda que os restantes projetos devem abrir em meados de fevereiro, incluindo o rooftop que terá “uma oferta de comida mais saudável e uma carta de cocktails”.

Com o atraso das obras no edifício histórico onde hoje mora o restaurante, o casal decidiu pôr mãos à obra e abrir durante uns meses um Supper Club em casa, tudo para que Rui pudesse testar as suas receitas e conhecer a sua carteira de clientes. Para conseguir chegar a todos os tipos de público, estabeleceu o preço fixo de 20€ para o único menu de degustação que servia. A ideia, conta, era mesmo “preparar” as pessoas para o Alameda, um restaurante que a capital algarvia “já merecia”. “Faro já tinha muitos e bons restaurantes temáticos. Acho que faltava um espaço assim, sem nenhum tema específico. Acredito que os farenses estão mais do que preparados para este tipo de restauração. A prova disso é que em plena época baixa o restaurante tem estado sempre cheio.”

O Alameda — que pede o nome emprestado ao principal jardim da capital algarvia, localizado a escassos metros do restaurante — é uma ode à região e às gentes da terra, com uma linha de cozinha cuidada, feita de produtos nacionais, focando-se sobretudo naqueles da região. “A ideia é que este seja um restaurante de bairro, pensado para os locais e acessível a todos. É um projeto para combater a sazonalidade”, garante o chefe. “Quero, de uma certa forma, desmistificar a ideia de que o Algarve é só feito de sol e praia”, acrescenta.

No ambiente

“Queremos que o restaurante seja um refúgio do dia-a-dia, como o jardim da Alameda já o foi em tempos”, explica Rui Sequeira, com os olhos postos no papel de parede de tons tropicais, localizada no fundo do restaurante. São, aliás, esses os tons escolhidos pelo chefe para a decoração do restante espaço — que senta 28 comensais. O branco e o verde predominam e juntam-se à madeira clara nas cadeiras, mesas e restante decoração. A garrafeira, composta por “cerca de 30 a 40 referências” e elaborada com a ajuda do sommelier Nelson Marreiros, encontra-se à entrada, junto à larga cozinha aberta. “É ótimo ver o feedback do cliente quando prova um prato. Eles não conseguem esconder as reações. E é bom para nós para afinar certas coisas quando necessário.”

Rui Sequeira pretende que o Alameda seja um espaço descontraído e acessível a todo o tipo de clientes. Foto: DR

Na mesa

Apresentado sem qualquer divisão entre entradas e pratos principais, o menu está feito de forma a que o comensal escolha o que quiser, sem pressões. Afinal, há quem vá com a ideia de partilhar vários pratos e há quem prefira um prato só para si. “Deixamos o cliente à vontade”, garante Rui.

Sempre respeitando o ritmo das estações, a carta estará em constante mudança, com propostas feitas a partir de “produtos algarvios de alta qualidade”. Isto aplica-se tanto ao menu de degustação (37€), composto por cinco momentos, como às restantes opções à carta. “Quero que as pessoas venham cá e não sintam estranheza no que estão a comer. Procuramos usar sabores que estas conhecem, apresentando-os no prato com uma roupagem diferente”, explica.

‘Ceviche de gamba da costa com cenoura algarvia, tapioca e óleo de coentro’, ‘leitão, legumes crocantes com amêndoas e kimchi de couve coração’ e ‘xerém de bivalves com emulsão de toucinho de porco preto’ são algumas das actuais sugestões do chefe. Esta última é o perfeito exemplo do que Rui pretende transmitir: “O prato é coberto por uma espuma, por isso o cliente não consegue ver o xerém. Só quando leva uma colherada à boca é que consegue encontrar todos os sabores que já bem conhece.”

Atualmente, o Alameda só serve jantares. Mais lá para a frente, quanto tudo estiver “mais afinado” abrirá também ao almoço.

Um dos pratos do Alameda: 'Leitão, legumes crocantes com amêndoas e kimchi de couve coração'. Foto: DR
Um dos pratos do Alameda: ‘Leitão, legumes crocantes com amêndoas e kimchi de couve coração’. Foto: DR
Por |2019-01-29T15:53:28+00:0017:47, 18/01/2019|

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