Alexandre Silva, chefe do Michelin Loco e do Fogo, em Lisboa, é o responsável pelo novo restaurante do Craveiral Farmhouse, um turismo rural em Odemira, Alentejo. Craveiral FarmTable — assim se se chama — tem na sua base um conceito de “horta para a mesa”, com uma cozinha local e sazonal.

Contactos:

Craveiral FarmTable by Alexandre Silva
Morada: Craveiral Farmhouse. E.M. 501, Km 4, São Teotónio, Odemira.
Reservas: No site craveiral.dinesuperb.com ou através do número 283 249 170.
Horário: Aberto todos os dias do 12h30 às 23h.

No restaurante, cerca de 70% dos ingredientes vêm diretamente da horta e do pomar do Craveiral Farmhouse e os restantes 30% de produtores da região de Odemira. Afinal, este projeto conta também com uma forte componente agrícola, com uma horta de produção biológica e um pomar de 7.000 metros quadrados. Num futuro próximo, está prevista a construção de uma estufa que permita a produção durante o inverno, bem como, um jardim de aromáticas e de flores comestíveis. E ainda a criação de diversos animais.

Na carta, que “envoca memórias do receituário tradicional” e dá destaque à cozinha de fogo, é possível encontrar linguados, salmonetes, polvo, amêijoas, percebes, leitão ou borrego cozinhados na brasa ou no forno a lenha. A harmonização de bebidas está a cargo de Thomas Domingues, sommelier do Loco.

Durante a pandemia, Alexandre Silva e a equipa mudaram-se para a costa alentejana para reorganizar a cozinha e trabalhar com a equipa do Craveiral. Falámos com o chefe para saber mais sobre o projeto e a sua nova vida no Alentejo, enquanto não reabrem os seus restaurantes em Lisboa.

Muito se fala dos restaurantes “da horta para a mesa” localizados na cidade, mas este é literalmente na horta, no campo. O que representa para ti este desafio?

Eu sou uma pessoa de desafios. O conceito “da horta para a mesa” é, por vezes, difícil de compreender. Aqui queremos um “da horta para a mesa” 100% verdadeiro e esse é o maior desafio.

Pode-se dizer que este Craveiral FarmTable é parecido ao Fogo no seu conceito?

Apesar de 80% da cozinha do Craveiral FarmTable se basear numa cozinha de fogo, o restaurante Fogo (Lisboa) é um espaço de tradição — renovada em alguns casos — mas não deixa de ser um restaurante citadino, cosmopolita. O Craveiral FarmTable é um restaurante onde queremos dar “tempo” a quem nos visita, um restaurante onde sintam ainda mais a experiência Craveiral.

Sentes que o facto de um chefe como tu abrir um restaurante no Alentejo pode gerar um maior reconhecimento na zona e na região em termos de conceitos diferenciados?

Acredito que a vinda de cozinheiros que possam trazer valor acrescentado a uma região é sempre uma mais-valia. É preciso olhar para isto como uma forma de homenagem a uma região e a uma cozinha que merecem estar onde estão outras importantes. Quantos mais profissionais diferenciadores a região tiver, melhor e mais à frente estará.

Sei que estás a viver pelo Alentejo, agora com o projeto e o fecho temporário dos teus outros restaurantes em Lisboa. Como é que é viver na região?

Eu tenho casa no Alentejo desde 2018, apaixonei-me pela região sudoeste e vejo-me a viver aqui para sempre. Aqui tenho tudo o que procuro para ser feliz, principalmente o tempo para o ser.

Sentes que este projeto funcionou como um alento para ti perante esta fase conturbada que vivemos?

Este projeto só apareceu porque passámos por uma fase mais desafiante. Se não fosse a pandemia, nada disto seria possível, porque não iria ter tempo para avançar com a parte mais difícil que são os alicerces do projeto gastronómico.