Vir ao de cima, surgir do nada. A alusão à cave, em comparação ao nome do restaurante que Ana deixa hoje, é só um título. Uma verdade é, ao mesmo tempo, o contrário. Para o país, Ana saía da cave quando entrava no restaurante, abaixo da vista ali para o Castelo. Agora sai da Cave 23.

A convite de António Botelho, Ana Moura deixou San Sebastian para vir inaugurar o projeto Cave 23, em Lisboa. A sua cozinha brilhou durante dois anos, num restaurante que foi tinta para muitos jornais. Hoje, a chefe despede-se da Cave 23. “Acreditei que este era o momento de sair”, explica a chefe que sempre lutou para evoluir e trabalhar cada vez melhor. Quando olha para trás, orgulha-se do caminho que escolheu e a evolução da sua equipa. Na cozinha, tenta que nenhum dia seja igual a ontem porque a “luta é melhorar constantemente”. Numa altura em que o restaurante estava sólido, a chefe conta que não pode continuar num sítio onde não vê mais futuro. Por agora, Ana não tem nada em mente mas garante que irão surgir oportunidades para trabalhar com outras pessoas, mesmo que não seja no país. Enquanto isso, o desejo continua a ser o de abrir o seu próprio espaço provavelmente em Lisboa, já que a chefe nunca viveu fora da capital a não ser quando esteve em Espanha. Mas por agora isso é um sonho.

Para já, “o mais importante é conseguir aprender”.