Casa Lisboa: Bem-vindos ao lar de Luís Gaspar

Após um 2017 em grande, com a conquista do título de Chefe Cozinheiro do Ano, Luís Gaspar volta a apresentar-se aos lisboetas. Com a janela da sua Sala de Corte fechada até julho, o chefe abre agora a porta da Casa Lisboa e mostra que a sua cozinha também é feita de clássicos portugueses.

FICHA TÉCNICA:

Nome: Casa Lisboa
Chefe: Luís Gaspar. Passou por vários hotéis em Lisboa e Cascais. Chegou ao Grupo Multifood em 2013, onde entretanto assumiu funções nos restaurantes Cais da Pedra e Henrique Sá Pessoa – Mercado da Ribeira. Em 2015, é convidado para abrir a Sala de Corte e, mais tarde, as mercearias Delidelux, em Lisboa.
Conceito: Reinvenção de clássicos portugueses
Dica: Há um menu para crianças, Pequenos Descobridores, com duas opções de pratos principais, dois sumos e uma sobremesa.
Morada: Praça do Comércio, Ala Poente. Lisboa
Telefone: 218 166 590
Horário: Aberto todos os dias, das 12h à 00h.

Na ideia

“Lisboa é de todos. Mas esta é a minha casa, com pratos clássicos da cidade e de outras regiões do país, nascidos em ambiente familiar e de partilha.” É assim que Luís Gaspar começa por explicar o motivo direto do nome do seu mais recente desafio, Casa Lisboa. O espaço, localizado na Ala Poente do Terreiro do Paço, foi ganho em concurso público pela Multifood, grupo de restaurantes no qual Luís é responsável de cozinha de mais três (Sala de Corte, Delidelux Santa Apolónia e Delidelux Avenida). Pela localização, e “por ser uma das mais belas praças de Portugal e da Europa”, foi fácil chegar ao conceito ideal. Até porque na zona “não havia nenhum de identidade portuguesa”, refere Gaspar. Este é o primeiro restaurante do chefe de 27 anos mais ligado à cozinha tradicional portuguesa – até então, a maioria dos portugueses conhecia-o da Sala de Corte, uma steakhouse. A idealização da Casa Lisboa começou o ano passado e a inspiração para a carta adveio da sua vitória no Chefe Cozinheiro do Ano, que o fez querer apostar nesse tipo de cozinha. “A Casa Lisboa tem uma linha portuguesa assumida mas com identidade própria: a minha”, assegura.

A esplanada do restaurante conta com 232 lugares sentados. Foto: Nuno Correia

A esplanada do restaurante conta com 232 lugares sentados. Foto: Nuno Correia

No espaço

Como já habitual nos restantes restaurantes da cadeia Multifood, também por aqui se privilegiam o mármore e a madeiras nas mesas. E ainda a inevitável cozinha aberta. “As pessoas que estiverem atentas, percebem a linha”, afirma Luís. O conceito luso do restaurante está portanto alinhado com os pormenores do espaço, como a cadeira rabo de bacalhau ou o azulejo verde luso da Viúva Lamego. “Queremos ser a referência do Terreiro do Paço, tanto pela comida, como pelo serviço, a decoração e a esplanada”, diz Gaspar. Conservadas as abóbodas, o espaço está dividido em dois pisos e conta ainda com uma esplanada, munida de um segundo bar, de onde saem as opções da carta de vinhos e ainda vários cocktails clássicos e de autor. “O plano é que a carta de bebidas aumente com o tempo”, afirma o chefe.

O conceito do restaurante está alinhado com os pormenores que o espaço apresenta. Foto: Nuno Correia

O conceito do restaurante está alinhado com os pormenores que o espaço apresenta. Foto: Nuno Correia

Na mesa

A carta é visivelmente curta. Quando confrontado com essa questão, Luís responde com a sua calma característica. “Acho bastante adequada”. Entre as entradas, as saladas, os pratos vegetarianos, os pratos de peixe e marisco e ainda as sobremesas, o chefe conseguiu incluir várias opções típicas e associadas à gastronomia local. “Tudo o que aqui está é o que eu gosto de comer. Não há uma divisão regional na ementa mas muitas delas são de Lisboa, como é natural. No futuro, quero muito incluir pratos dos Açores e da Madeira”, refere. Diz-se que em equipa vencedora não se mexe e esse parece ser o segredo de Gaspar. As Amêijoas à Bulhão Pato ou o Pica-Pau de Novilho, por exemplo, pouco ou nada se desviam das suas receitas tradicionais, garante o chefe. Assim como o Leitão Assado à Bairrada, aqui com um toque de puré de batata-doce e coração de alface grelhado. Outros pratos já mostram mais técnica e o cunho de um cozinheiro que revela ter nas mãos mais mundo para além da carne. Falamos do clássico Bacalhau à Brás, ali apresentado com uma gema confitada “para não ser tão pesado”. Ou o Arroz de Marisco que “esteticamente não é o clássico que conhecemos mas tem a mesma intensidade de sabor” na gyosa, recheada de bivalves da Ria Formosa e um camarão tigre a finalizar.

Luís está por agora nesta casa mas depressa ganhará novas moradas. É esperar para ver o percurso do jovem cozinheiro que tem ambição de ser referência na profissão.

O Arroz de Marisco de Luís Gaspar. Foto: Nuno Correia

O Arroz de Marisco de Luís Gaspar. Foto: Nuno Correia

Por |2018-07-12T17:44:01+00:0011:00, 14/06/2018|

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