O novo ano traz consigo uma lista de chefes e de novos espaços a manter debaixo de olho, para já, e debaixo da língua, num futuro próximo. Seja pela novidade ou pelo talento que já exibiram noutras ocasiões, a verdade que são (apenas) nove nomes mas podiam ser bem mais. Ora veja.

Ricardo Dias Ferreira (Elemento, Porto)

Abrir um restaurante em Portugal é um sonho tornado realidade para Ricardo Dias Ferreira. Foto: DR

Depois de sete anos anos longe de casa, a trabalhar primeiro em Espanha e depois na Austrália — onde chefiava uma larga equipa de cozinheiros no hotel Shangri-La — Ricardo Dias Ferreira, de 31 anos, está de volta ao panorama nacional para abrir o Elemento, no Porto, um sonho de longa data. Ainda durante este mês, na Avenida dos Aliados, vai nascer um espaço sem qualquer recurso a tecnologia, gás ou eletricidade. Só com o fogo como elemento e utilizando somente lenha, caruma, palha, pinhas e brasas. “O Elemento descreve o regresso à origem do ser humano e a sua relação com a comida, a sua raiz”, pode ler-se na página oficial no restaurante no Facebook. É esperar para provar. Já falta pouco.

Manuel Liebaut/Alexandre Silva (Fogo, Lisboa)

São a dupla imbatível do Loco, em Lisboa. Não é de admirar, por isso, que Manuel Liebaut [o atual responsável pelo laboratório I+D do restaurante] seja também o eleito de Alexandre Silva para a chefia do novo projeto do grupo, Fogo. Nos próximos meses, vai nascer na Avenida da República um espaço que privilegiará, como o próprio nome indica, a cozinha à brasa. Esta terá quatro metros de ação com fogo aberto, forno a lenha, grelhadores e utensílios que permitirão assar animais inteiros, à vista dos clientes. Cozido, cortes do dia, chanfana, borrego, leitão, peixe assado no forno, e mariscos farão parte do menu que mudará de forma constante. E as surpresas não ficam por aqui: ao lado de Liebaut — que somou experiências no Bocca em Lisboa (onde conheceu o chefe do Loco), Corner Room e Chiltern Firehouse em Londres, Noma em Copenhaga e Tickets, Pakta, Espai Kru, Dos Palillos e Rossini em Barcelona — vai estar Ronald Sim, ex-subchefe do reconhecido Burnt Ends, em Singapura.

André Lança Cordeiro (Essencial, Lisboa)

André Lança Cordeiro surpreendeu no Local com a sua cozinha ligada ao produto e de toque francês. Foto: Tiago de Paula Carvalho

O seu retorno a Portugal em 2015 — após vários anos a trabalhar em cozinhas francesas — foi discreto. Manteve-se um ano e meio no Ânfora, no Palácio do Governador, em Belém, até se mudar para um pequeníssimo espaço no bairro do Príncipe Real, em Lisboa, e fazer nascer o Local, o microrestaurante sensação do último semestre de 2017. Lá praticou a sua cozinha de produto, de raiz francesa, e causou água na boca a muitos curiosos. No final desse ano, anunciou a saída do restaurante (que viria a reabrir mais tarde com um novo chefe), garantindo voltar em breve com um projeto próprio e uma cozinha muito semelhante à que ali praticava. Essencial é o nome dessa promessa que verá vida ainda este ano, no centro de Lisboa. E pelo que já se pode ver, através das fotografias publicadas na conta de Instagram do novo restaurante, na lista de sobremesas não vão faltar os clássicos franceses Paris Brest e Mille Feuilles — dois dos pratos mais populares de Lança Cordeiro no Local.

Rui Sequeira (Alameda Restaurante e Rooftop, Faro)

Durante seis anos, foi um dos pupilos de Hans Neuner no Ocean, no Algarve. Por lá, confessa, cresceu enquanto profissional até atingir a maturidade “necessária” para se aventurar a solo. É em Faro, na sua terra natal, que mora o seu novo desafio. Alameda — assim se chama — é uma homenagem ao jardim, localizado a escassos metros, e que se constitui como um dos marcos da capital algarvia. À mesa brilham os produtos da região que combinam com o ritmo descontraído e informal do restaurante, que é o segundo desta lista que já abriu, mesmo no final de 2018. Já para fevereiro, o cozinheiro de 26 anos promete ainda a abertura de um rooftop, inserido no andar acima do restaurante, com várias opções de petiscos e cocktails.

Manuel Maldonado (100 Maneiras, Lisboa)

Manuel Maldonado soma inúmeras experiências internacionais por França, Espanha e Singapura. Foto: DR

Começou a trabalhar com Ljubomir Stanisic há pouco mais de ano e meio e com a saída do então chefe executivo Vítor Adão, na primeira metade de 2018, agarrou a chefia executiva do grupo 100 Maneiras, incluindo a do novo espaço, a abrir muito em breve para os lados do Bairro Alto. O perfil discreto do chefe de 31 anos contrasta com a sua já experiente carreira em espaços como o Belcanto e Eleven (Lisboa), Mas Passamaner (Tarragona, Espanha), Hofmann (Barcelona, Espanha), L’Atelier De Jean-Luc Rabanel (Aries, França), Aponiente (Cadiz, Espanha) e Burnt Ends (Singapura). O ano passado, lembre-se, foi um dos escolhidos para o comboio The Presidential, na edição “Rising Stars”, ao lado de Ana Moura.

Bruno Rocha/Nuno Mendes (Bairro Alto Hotel, Lisboa)

Até à data do seu encerramento, em finais de 2017 — para uma remodelação profunda — Bruno Rocha era quem liderava a cozinha do Bairro Alto Hotel e do principal restaurante, Flores do Bairro.

Enquanto o hotel esteve em obras, o chefe somou algumas experiências por terras algarvias até regressar a convite do hotel e de Nuno Mendes (Mãos e Chiltern Firehouse, Londres), entretanto anunciado como o novo diretor criativo de Food & Beverage do espaço, com abertura prevista para abril. Ao todo, serão cinco (restaurante BAHR, terraço BAHR, uma pastelaria, o bar Mezzanine e o bar 19.68) os espaços pensados pelo chefe português radicado em Londres e executados por Bruno Rocha. A expectativa é elevada, uma vez que se trata da estreia de Mendes em Lisboa — a sua terra natal, onde, curiosamente, nunca somou qualquer experiência profissional.

Filipe Carvalho (Fifty Seconds Martín Berasategui, Lisboa)

Antes do Lasarte, Filipe Carvalho trabalhou na cozinhas de Vincent Farges e Dieter Koschina. Foto: DR

A entrada do grupo Martín Berasategui [chefe detentor de 10 estrelas Michelin] no mercado luso pode significar bem mais do que à partida se espera. Sobretudo pela aposta num chefe português para a liderança do mais recente restaurante do chefe espanhol, em Lisboa. Filipe Carvalho tem 32 anos e é já um velho conhecido de Berasategui. Trabalhou ao seu lado no Lasarte, em Barcelona, durante três anos. Antes disso, passou pelas cozinhas dos renomados António Bóia, Vincent Farges e Dieter Koschina. Apesar de a linha de Berasategui marcar o conceito do Fifty Seconds, localizado no topo da antiga Torre Vasco da Gama (hoje o hotel Myriad), Filipe garante que o seu cunho se fará sentir através de criações próprias — ainda que pensadas em conjunto com o mestre. Com apenas dois meses de existência, há quem já dê como certa a sua entrada no próximo guia Michelin.

No meio disto tudo, é importante não esquecer outros nomes: casos de Vítor Adão e Lucas Azevedo [ambos recém-saídos do 100 Maneiras e Bonsai (Lisboa), respetivamente], com a inauguração do seu pop up Izakaya Tokkuri, a 8 de janeiro, em Lisboa. Esse estilo de restauração, em regime provisório é, aliás, uma tendência que já se vê noutros países. Veja-se o novo Ajitama Ramen Bistro — que abre por estes dias entre o Marquês de Pombal e o Saldanha — e que nasceu pela mão de António Carvalhão e João Ferreira em formato supper club, em casa de um dos seus idealizadores. Ainda neste semestre vão nascer novos projetos dos já conhecidos Hugo Brito (Phoi-Cavalo e The Ridiculous Fried Chicken) e Miguel Oliveira (do famoso Pudim Abade de Priscos) — mas sobre eles ainda pouco se sabe. Também o ainda discreto Pedro Limão muda-se em maio, para o espaço ao lado do seu atual restaurante, no Porto, onde se prepara para apresentar um renovado conceito. Já Leopoldo Garcia Calhau (ex-Café Garrett, Lisboa) estreia-se com um projeto a solo, Taberna do Calhau, para os lados da Mouraria já em abril. A casa de petiscos vai recriar o ambiente de uma taberna alentejana, com “boa comida, bons vinhos e bom ambiente”.

Não poderíamos deixar acabar esta lista sem mencionar importantes protagonistas (que vão continuar a sê-lo) da restauração portuguesa. É o caso de José Avillez que vai abrir, pelo menos, mais dois restaurantes (Rei da China e Casa dos Prazeres) na capital, mas também o de Rui Sanches, do grupo Multifood, que se prepara para fazer a curadoria gastronómica da nova microcervejeira da Super Bock Group, Brewery Beato, um projeto anunciado para outubro. E será que o conceito do recém-adquirido Tavares manter-se-á intacto em 2019? Não esquecer também os nomes de Rui Gaspar e António Oliveira Querido, do grupo Sea Me, que vai acrescentar ao seu lote de espaços o Meat Me – Asador Moderno, um restaurante e bar que será “um teatro de opostos entre o fogo intenso da cozinha e a elegância francesa”.