Felipe Schaedler surpreendeu a audiência do San Sebastian Gastronomika, que decorreu entre 2 e 5 de outubro, no País Basco, ao falar ao pormenor de como usa os produtos da floresta da Amazónia no seu restaurante Benzeiro, localizado na região de Manaus. “A floresta, utilizada de forma sustentável e coerente, pode ser uma fonte alternativa de alimentos para a população. Eu uso produtos que são pouco comuns mas que têm grande potencial gastronómico”, garante.

Na cozinha do seu restaurante, o jovem chefe de 29 anos gosta de surpreender os clientes. Um dos produtos que usa e que causa alguma estranheza é uma formiga do tipo saúva, um ingrediente “emblemático, consumidos pelos índios” e que serve no Benzeiro para “quebrar eventuais formalidades das refeições”.

Aliás, a pergunta “como é que posso utilizar um certo produto e colocá-lo na minha cozinha?” impõe-se muitas vezes ao jovem chefe brasileiro. Para conseguir descobrir a resposta é comum Felipe Schaedler passar algum tempo com tribos indígenas em “trocas de informações e energias”. O máximo que lá esteve foram 12 dias, experiência que confessa ter sido um verdadeiro detox da mente. “O conhecimento deles de Amazónia enquanto ingrediente é muito profundo, eles sabem exatamente o que é consumível ou não. São os responsáveis por manter a floresta em pé”, acrescenta.

Ultimamente, o chefe tem centrado a sua atenção nos cogumelos Sanöma que crescem naquele território, na região de Awaris, e que fazem parte do sistema agrícola do povo Yanomami. Agora, juntamente com Alex Atala, Schaedler já os cultiva e exporta para todo o Brasil.