O ETASTE jantou no Belcanto, na grande noite do ‘Grand Gelinaz! Shuffle’, no qual 148 chefes de todo o mundo foram desafiados a cozinhar inspirados nas receitas de outros colegas de profissão. Este é o relato de uma noite misteriosa, com um final surpreendente.

Às 22h, o mistério foi desvendado. José Avillez abriu o envelope que trazia na mão e revelou diante de uma sala cheia de gente o nome da autora das receitas que lhe serviram de inspiração para o menu de degustação que nos foi servido nessa noite: Elena Reygadas do restaurante Rosetta. Seguiu-se uma ovação entusiasta e, de seguida, José fez uma videochamada com Elena. Muito sorridente e emocionada, a chefe mexicana agradeceu. Nós também!

Foi, de facto, um jantar jantar único e irrepetível, não só no Belcanto como no mundo inteiro. O conceito do Gelinaz! 2019, criado pelo italiano Andrea Petrini, foi inovador: este ano contou com a participação de 148 chefes (4 deles portugueses. A par de Avillez, Alexandre Silva, António Galapito e Henrique Sá Pessoa também foram convidados). No dia 3 de dezembro, todos os chefes participantes fizeram um jantar, nos seus restaurantes, inspirado nas receitas de outro chefe, mas dando a cada prato uma interpretação pessoal. As receitas foram sorteadas e a organização desafiou os chefes a excederem os limites da criatividade com as receitas aleatórias que lhes calharam à mesa.

José Avillez não defraudou as expectativas. “Não foi fácil reinterpretar umas receitas de alguém que não sabíamos quem era, não perdendo a identidade do Belcanto. Mas foi um desafio estimulante!”, declara-nos o chefe. E o factor-surpresa, foi mesmo surpresa? “Confesso que eu desconfiava! Conheço bem a Elena, já estive três vezes no restaurante dela; cozinhei com ela há um ano quando ela esteve cá e eu sabia que as receitas eram de um restaurante italiano, com influências mexicanas, no México… e, portanto, andava com a pulga atrás da orelha!”. José Avillez teve três semanas para interpretar o novo menu antes de o servir. “Esta ligação de cozinha mediterrânica com cozinha mexicana foi interessante! Adaptámos alguns pratos à nossa realidade, por exemplo, um dos pratos tinha sardinha, nós colocámos salmonete.” Os portugueses aderiram com força a esta iniciativa cultural e os estrangeiros – presença já assídua naquele que foi o primeiro bi-estrelado da capital – também!