O projeto que nasceu há três anos, no Chiado, em Lisboa, pelas mãos de Pedro Cardoso, mudou-se para o Príncipe Real. A Queijaria largou o sufixo de bar associado e agora é só uma loja de queijos.

É num espaço mais pequeno, comparativamente ao do Chiado, com apenas duas mesas dispostas à vista, que mora a nova Queijaria. Ao entrar, sente-se o cheiro forte dos mais de 60 queijos maturados, distribuídos pelas duas arcas frigoríficas, e oriundos de países como Portugal, França, Suíça e Itália. A bancada branca divide o espaço entre a restante oferta de produtos que o cliente pode levar para casa, como são exemplos o azeite e as compotas. Assim como, vários utensílios de corte, como facas e tábuas.

No Príncipe Real, Pedro dá agora vida ao conceito que inicialmente idealizou. “Quero que as pessoas levem os queijos para casa”. Com isto, não quer dizer que as degustações, no local, dos queijos disponíveis deixem de ser possíveis. Vão continuar, ainda que em oferta mais reduzida. Nas tábuas de queijo, vai-se juntar em breve o pão da Gleba.

A ideia do conceito surgiu na mente de Pedro Cardoso, aquando  das suas recorrentes viagens por grandes capitais europeias. “Decidi arriscar num conceito que não existia em Portugal e fazia sentido“.

Em 2014, em conjunto com a mulher e o irmão, o ex-publicitário de 53 anos, contatou alguns afinadores de queijo internacionais – nome dado aos profissionais responsáveis pela maturação do produto – e através de uma afincada pesquisa, juntou uma lista considerável de variedades. ‘Comté Reserve’, ‘Pecorino Molitermo al Tartufo’, ‘Leiden Key Fermier’ e ‘Chevre Cabra de Granja’ são apenas alguns exemplos.

O queijo em Portugal

Ao contrário do que a maioria poderá pensar, Pedro é da opinião que os portugueses não têm cultura de queijo e não fazem ideia ao que este realmente sabe. “Muitas pessoas só conhecem o queijo que comem nas sanduíches e ponto”. Como exemplos a seguir, dá o da Suíça ou França, países que desde cedo introduzem nos mais jovens, o produto nas refeições escolares.

Para o empresário, no setor, o mercado industrial continua a perdurar relativamente ao artesanal. Isto faz com que não exista mercado e, consequentemente, espaço para os pequenos produtores. “Existe muita dificuldade na distribuição e produção do produto”.

E a esse problema, junta-se o facto desses queijos serem libertados para o mercado no máximo com 30 dias de maturação. “Um queijo com 90 dias de idade em Portugal já é considerado velho. Lá fora, isso acontece após um ano ”. Talvez, por isso, num futuro próximo, Pedro tem na ideia tornar-se um afinador de queijos portugueses. É esperar para ver.

Contatos:

Queijaria – Cheese Bar
Morada: Rua do Monte Olivete, 40
1200-280, Lisboa
Telf.: 213 460 474

Aberto de terça-feira a domingo, das 10h às 20h.