Henrique Mouro e Pedro Rezende Pereira, a nova dupla da Bica

Henrique Mouro e Pedro Rezende Pereira são os dois novos homens fortes do icónico Bica do Sapato, em Lisboa. Juntos pretendem oferecer uma nova vida ao restaurante, sem mexer no espírito de sempre.

Contactos:

Bica do Sapato
Morada: Av. Infante D. Henrique, Armazém B, Lisboa
Telefone: 218 810 320
Horário: Aberto de terça-feira a sábado, do 12h às 15h30 e das 19h às 24h

Antes de Lisboa andar nas bocas do mundo e o número de turistas por berma de estrada ser superior ao recomendável, já a Bica do Sapato dava cartas na restauração.

Abriu em 1999 pelas mãos de Fernando Fernandes e José Miranda — os mesmos proprietários do igualmente histórico Pap’Açorda —  a quem, mais tarde, se juntariam Manuel Reis, fundador das discotecas Frágil e Lux, e o ator norte-americano John Malkovich.

Em quase 20 anos de Bica, foram muitos os nomes sonantes que tomaram rédeas da cozinha: Joaquim Figueiredo, Fausto Airoldi, Bertílio Gomes, Alexandre Silva ou, mais recentemente, Manuel Bóia são apenas alguns exemplos.

Agora, há uma dupla aos comandos: Henrique Mouro regressa à Bica do Sapato — o chefe de 43 anos fez parte de uma das equipas iniciais do restaurante — e reencontra-se com Pedro Rezende Pereira, que foi seu subchefe no restaurante Club, em Vila Franca De Xira e, mais tarde, no Assinatura, na capital.

“O Henrique falou comigo e chegámos a acordo. Fomos buscar parte da equipa que já tinha trabalhado connosco, incluído o pasteleiro e alguns cozinheiros”, começa por explicar Rezende Pereira, que nos últimos anos foi responsável pelo restaurante Kook, em Angola. Pedro garante que o bom entendimento entre ele e Henrique não se perdeu e que agora ambos estão em pé de igualdade — são os dois responsáveis pela cozinha.

A primeira carta da Bica do Sapato é reflexo disso mesmo. “É mais segura. Daqui a uns tempos vamos começar a mexer mais e a acrescentar, por exemplo, as minhas influências por Angola”, explica Pedro. Ainda há uns dias, conta, testaram um prato de carabineiro com “sabores angolanos” que ficou “muito agradável” e que poderá entrar muito em breve na ementa.

Da antiga carta, só sobrou um prato, já emblemático dos tempos de Fausto Airoldi: o bacalhau fresco escalfado em azeite sobre à Brás com azeitona pretas. Dividido pelas secções Petiscos, Sandwiches e Saladas, Entradas, Peixe, Carne, Vegan e Doces, o menu apresenta, entre outras, sugestões como figos assados com queijo de Azeitão e nozes, asa de raia de coentrada e pão torrado, lula e tamboril assados com puré de batata e azeitonas ou porco ibérico na grelha com arroz de caracoletas assadas.

Quem bem se lembra do trabalho da dupla, sabe que das suas mãos não poderia surgir outra coisa que não fosse cozinha portuguesa. Mas calma, nada de fundamentalismos, avisa Henrique Mouro. “É uma cozinha portuguesa mas nem por isso o é. Ou seja, nos pratos pode sempre aparecer um ou outro elemento que não esteja ligado a essa cozinha. É uma cozinha que resulta das pessoas com quem já nos cruzámos e dos sítios onde trabalhámos. Mas o sabor, no fim, é português”.

Por |2018-10-29T10:23:08+00:0012:15, 22/10/2018|

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