O guia Michelin foi publicado pela primeira vez por André Michelin em 1900, em França. Primeiramente foi idealizado para promover o turismo automobilístico e os restaurantes possuíam apenas uma estrela. Em 1931 foi definida pela primeira vez a classificação em três estrelas e, passados quase 100 anos, esta classificação continua inalterada.
Tal como definido no guia, uma estrela é atribuída a um restaurante muito bom na sua categoria e que vale a pena visitar se tiver perto, duas estrelas para uma cozinha excelente, a qual vale a pena fazer um desvio para provar, e as três estrelas significam que possui uma cozinha excecional digna de uma viagem especial.
Em Portugal a primeira estrela Michelin apareceu em 1974. Aliás, são premiados quatro restaurantes por essa altura: o Aviz (Lisboa), o Michel (Lisboa), o Pipas (Cascais) e o Portucal (Porto). Depois deste ano dourado, as estrelas vieram para ficar e, entre ganhos e perdas, muitos são os que passam pelas várias edições do guia. De norte a sul do país, não foram apenas as grandes cidades que tiveram destaque, sendo premiados restaurantes em regiões como Santa Bárbara de Nexe (La Réserve), Montemor-o-Velho (Ramalhão), Fátima (Tia Alice) e Évora (A Bolota).
Mais ainda, o restaurante português que esteve mais anos no guia foi o Porto Santa Maria, que durante 25 anos, sem interrupções, foi premiado com uma estrela Michelin. Localizado no Guincho, está aberto desde 1947 e presente no guia desde 1984 até 2008. Em conversa com o ETASTE, o chefe Dionísio Mestre – que esteve mais tempo à frente da sua cozinha – conta que “nunca disse a um cliente que não fazia qualquer coisa”, cumprindo, em todas as circunstâncias, o que lhe era pedido. Mais ainda, refere que o segredo para manter a estrela durante tantos anos é essencialmente a “qualidade e frescura dos produtos”.
Logo a seguir, com presença durante 21 anos, 17 dos quais com duas estrelas, e até ao momento no guia, está o restaurante localizado no hotel Vila Joya, em Albufeira. E, com apenas um ano de interrupção (em 2014), o São Gabriel esteve presente em todas as edições do guia desde 1995, somando um total de 20 anos. Ressaltamos ainda que, desde 1974, não houve um restaurante que tivesse perdido a estrela no ano seguinte ao que a conquistou.
No entanto, até aos dias de hoje, são poucos os restaurantes que aguentaram a estrela desde o ano em que a ganharam. Menos ainda são os chefes que ganharam a estrela e se mantém nesses mesmos restaurantes.
Apesar da distinção Michelin pertencer ao espaço em si, é o trabalho dos chefes que permite tal conquista. Vejamos algumas curiosidades sobre estes. Houve chefes a somar um total de três estrelas em solo português na tática 1+1+1. Wilhelm Wurguer foi o primeiro a consegui-lo, primeiro no La Réserve (1990), depois no São Gabriel (1995) e, por último, no seu próprio restaurante Willie’s (2007). José Avillez que conquistou a sua primeira no restaurante Tavares (2010) e, mais tarde, duas no seu restaurante Belcanto (em 2013 e, mais tarde, em 2015). E ainda, Ricardo Costa que ganhou a primeira no Largo do Paço (2010), com apenas 29 anos, e, conquistou a segunda e terceira no The Yeatman (em 2012 e, mais tarde, em 2016).
Obter uma estrela Michelin é um feito que exige e reúne exigências difíceis de definir, já que as avaliações e critérios não são conhecidos publicamente. De seguida apresentamos uma cronologia com as datas e idades dos chefes premiados atualmente. Porque para entender as previsões meteorológicas das chuvas de estrelas é necessário olhar para trás, para as nuvens difusas onde tudo começou..
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