Um terceiro inquérito da AHRESP – Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal sobre o impacto da Covid-19 na atividade turística (alojamento turístico e restauração e bebidas), realizado entre 31 de maio e 3 de junho de 2020, apurou 1510 respostas válidas.

No setor da restauração e bebidas, 36% das empresas não reabriram a 18 de maio — data definida pelo governo para a reabertura dos restaurantes em Portugal — mas 60% tencionam fazê-lo durante o presente mês de junho. Apesar destes números, 34% ainda continua sem saber quando terá condições para abrir portas. Para aquelas que reabriram, cerca de metade registou uma faturação média abaixo dos 10% das receitas habituais. Já 24% teve uma faturação média entre os 11% e os 20%.

As perspetivas para os meses de verão são pessimistas, adianta a AHRESP. De acordo com os dados, 54% das empresas não vão conseguir suportar os encargos habituais (pessoal, energia, fornecedores e outros) em junho, e 36% ponderam avançar para insolvência. Na eventualidade que tal venha a acontecer, 31,2% irá colocar no desemprego entre seis a dez trabalhadores. Caso não recebam o apoio do lay off correspondente a junho, 62% não conseguirá mesmo pagar os salários desse mês.

Quanto aos salários de maio, 16% das empresas não conseguiram efetuar o pagamento e 15% só o fez parcialmente. Mais de 37% teve que recorrer a financiamento para conseguir para os salários desse mês.

No que diz respeito ao emprego, mais de 90% das empresas da atividade da restauração e bebidas não efetuaram quaisquer despedimentos nos últimos três meses (de março a maio). Todavia, 73,5% não sabem se vão conseguir manter o total dos seus trabalhadores até ao final de 2020.

No que se refere aos pedidos de financiamento, cerca de 33% das empresas com processos aprovados ainda não tinham o dinheiro disponível no final de maio. O pagamento de salários foi o motivo mais referido pelo qual as empresas recorreram aos mesmos.