Depois das escolhas de André Lança Cordeiro e Pedro Bandeira Abril por iguarias da cozinha francesa e japonesa, respetivamente, quereremos agora saber qual o prato que João Cura gostava de ter sido o autor — seja este proveniente de um restaurante de renome, de uma casa tradicional ou até mesmo do seio da sua família. De seguida, as respostas do chefe do Almeja, no Porto.

Qual o prato de que gostarias de ter sido autor e porquê?

Gostava de ter sido o autor da tarte Tatin de maçã. É a sobremesa preferida da Sofia Amaral Gomes [mulher de João e chefe de sala do Almeja]. A verdade é que não há maior elogio do que criar um prato que de alguma maneira representa e homenageia pessoas que nos são muito queridas.

Como se prepara o prato em questão?

Começamos por deixar caramelizar muito bem as maçãs (a variedade tem que ver com o gosto pessoal de cada um, nós gostamos de usar granny smith pela sua acidez). De seguida, é necessário dispor as maçãs caramelizadas numa tarteira, reduzir o caramelo e adicionar manteiga (passo muito importante) e uma pitada de sal. Por fim, basta verter a mistura sobre as maçãs, colocar massa folhada ou massa quebrada por cima (depende do gosto pessoal) e levar ao forno.

Onde pode ser provado?

Essa iguaria pode ser provada, por exemplo, no restaurante ‘Chez Nous’ (a nossa casa). E também na La Closerie des Lilas e no Jones em Paris.
Há quem diga que a tarte Tatin nasceu de um acaso na cozinha do Hotel Tatin pelas mãos das irmãs Caroline e Stéphanie Tatin que ao fazerem uma tarte de maçã se deram conta que se tinham esquecido de colocar a massa no fundo da tarteira. Para evitar o desperdício das maçãs colocaram a massa por cima e no fim, inverteram a tarte. No entanto, há quem defenda que naquela altura já se fazia a tarte Solognote, sendo que não se consegue distinguir as duas tartes, quer em aspeto quer na forma de produção. É como aquele velho dilema de quem nasceu primeiro, o ovo ou a galinha?