Numa conferência online, que aconteceu hoje de manhã, dia 29 de abril, no canal de youtube da AHRESP – Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal, os responsáveis Carlos Moura, Ana Jacinto e Pedro Carvalho esclareceram algumas dúvidas relativas ao Guia de Boas Práticas, proposto pela Associação para o canal horeca, e que será apresentado ao Governo.

Na última sexta-feira, dia 24 de abril, a AHRESP entregou ao Governo uma proposta de ‘Guia de Boas Práticas’ com vista à reabertura dos estabelecimentos de restauração e bebidas. Uma versão desse documento, que abordou temas como a reorganização dos espaços e as regras de limpeza e desinfeção, começou desde logo a circular nas redes sociais gerando comentários de indignação por parte de cozinheiros e proprietários de restaurantes de norte a sul do país.

Segundo esta Associação, o guia foi discutido com empresários do setor de “várias tipologias, realidades de estabelecimentos e regiões, e teve também em conta as experiências internacionais decorridas até ao momento”. Posteriormente, foi revisto pela Autoridade para as Condições do Trabalho (ACT), pela Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE), pela Direção Geral da Saúde (DGS) e pelo Turismo de Portugal (TdP).

“Para haver a reabertura de estabelecimentos, esta tem de ser feita em determinadas condições. As empresas têm que ter saúde e para isso têm que ter clientes. Precisamos de boas práticas para que os consumidores tenham confiança”, começou por dizer o 1º Vice-Presidente da AHRESP, Carlos Moura, acrescentado que a Associação tem estado em comunicação diária com o Governo na procura de soluções para o setor.

Dirigindo-se aos restaurantes, Ana Jacinto, Secretária-Geral da AHRESP apelou à calma — algo que fez por diversas vezes durante a conferência —, garantido que o ‘Guia de Boas Práticas’ é “totalmente exequível”. “Não está prevista nenhuma divisória de acrílico [nos restaurantes]. Não falámos em métricas, os estabelecimentos terão de reorganizar o seu lay out — que deixamos ao critério do empresário e governo”. Jacinto afirmou que nos últimos anos, os estabelecimentos de restauração têm sido obrigados a cumprir regras de higiene cada vez mais rigorosas e que, portanto, as novas serão apenas “um reforço” das mesmas. Por último, a responsável deixou um conselho: “Não façam aquisições de termómetros e acrílicos, nem tomem decisões precipitadas. Aguardem pelas orientações da AHRESP que está também a preparar pequenos vídeos de capacitação.”

Ana Jacinto declarou ainda que a Associação encontra-se em conversações com o Governo acerca da necessidade de apoios financeiros para quando os restaurantes abrirem. “As empresas [de restauração] vão abrir com restrições e receitas reduzidas. Há muitos que não terão condições para abrir. É necessário apoios para postos de trabalho e compra de equipamentos de proteção individual.”

Esta quinta-feira, dia 29, o Primeiro-Ministro António Costa vai anunciar a partir de que datas poderão começar a abrir os estabelecimentos de restauração. Até ao final da semana, o ‘Guia de Boas Práticas’ será concluído.