Após alguma expectativa, a Direção Geral de Saúde divulgou hoje os procedimentos a ter por parte dos estabelecimentos de restauração bebidas já a partir de 18 de maio — data em que restaurantes e cafés poderão reabrir.

Entre as medidas a adotar pelas empresas, destaca-se a redução da capacidade máxima do estabelecimento, de forma a assegurar o distanciamento físico recomendado (dois metros) entre as pessoas, privilegiando a utilização de áreas exteriores, como as esplanadas (sempre que possível) e o serviço take-away.

Sobre o anunciado, na habitual conferência de imprensa diária, Graças Freitas, diretora-geral da DGS, afirmou: “Temos de ter confiança na autoresponsabilização dos portugueses. Não é fiscalizar, é autresponsabilização, cada um de nós tem que fazer a sua parte. Não se podem relaxar as medidas, o vírus está a circular.”

No documento (que pode consultar na íntegra aqui) constam um conjunto de práticas a adotar para a diminuição da transmissão da COVID-19 a empresas, colaboradores e clientes, entre as quais:

Empresas

Em primeiro lugar, é recomendado que as empresas elaborem ou atualizem o seu próprio Plano de Contingência específico para COVID-19 e o forneçam a todos os colaboradores a fim de garantir que estes estão aptos para colocar em prática todas as medidas preconizadas.

Em termos de espaço, este deverá ser reduzido na sua capacidade máxima do estabelecimento (interior, incluindo balcão, e esplanada), de forma a assegurar o distanciamento físico recomendado (dois metros) entre as pessoas nas instalações. O guia sugere que a disposição dos lugares em diagonal pode facilitar a manutenção da distância de segurança, acrescentado que coabitantes podem sentar-se frente a frente ou lado a lado a uma distância inferior a dois metros. Sempre que possível, o estabelecimento deve privilegiar a utilização de espaços destinados aos clientes em áreas exteriores, como as esplanadas (sempre que possível) e serviço take-away.

Os restaurantes devem também promover e incentivar o agendamento prévio para reserva de lugares por parte dos clientes. Os lugares em pé, pela dificuldade de garantir a distância entre as pessoas, estão desaconselhados, assim como as operações do tipo self-service, nomeadamente buffets e dispensadores de alimentos que impliquem contacto por parte do cliente.

Nos pedidos/pagamentos ao balcão, no caso de poder formar-se uma fila de espera, os clientes devem ser incentivados a manter uma distância de, pelo menos, dois metros, o que pode ser conseguido através da sinalização do local onde devem permanecer à espera da sua vez.


Exemplo da DGS da disposição no espaço das cadeiras, mesas, lugares ao balcão e filas para pedidos/pagamentos.

A circulação das pessoas para as instalações sanitárias deve ocorrer em circuitos onde seja possível manter a distância adequada entre as pessoas que circulam e as que estão sentadas nas mesas. As instalações sanitárias dos clientes e dos colaboradores possibilitam a lavagem das mãos com água e sabão e a secagem das mãos com toalhas de papel de uso único. As torneiras devem ser, sempre que possível, automáticas. A utilização de secadores que produzem jatos de ar não é recomendada. Sempre que possível os lavatórios devem estar acessíveis sem necessidade de manipular portas.

Os restaurantes devem disponibilizar dispensadores de solução à base de álcool localizados perto da entrada do estabelecimento e noutros locais convenientes, associados a uma informação incentivadora e explicativa.

O espaço deve ainda substituir as ementas individuais por outras que não necessitem de ser manipuladas pelos clientes (por exemplo, placas manuscritas ou digitais) ou adotar ementas individuais de uso único (por exemplo, seladas ou impressas nas toalhas de mesa descartáveis) ou ementas plastificadas e desinfetadas após cada utilização.

Importante é também assegurar uma boa ventilação e renovação frequente de ar nas áreas do restaurante, por exemplo através da abertura de portas e janelas. Em caso de utilização de ar condicionado, esta deve ser feita em modo de extração e nunca em modo de recirculação do ar. O equipamento deve ser alvo de uma manutenção adequada (desinfeção por método certificado).

Colaboradores

Entre os colaboradores, é importante que cumpram as recomendações de segurança e higiene, utilizando máscara (e substituindo-a frequentemente) durante todo o período de trabalho, higienizando as mãos entre cada cliente e também usando luvas para preparar e manusear alimentos — algo que não substitui a adequada e frequente higienização das mãos.

Também é essencial que estes garantam que a disposição das mesas e das cadeiras no estabelecimento permitam uma distância de, pelo menos, dois metros entre todas as pessoas. Sempre que possível, os colaboradores devem também manter uma distância de dois metros dos clientes e dos outros colaboradores.

Exemplo da DGS da disposição no espaço das cadeiras e mesas.

Em relação aos pratos, copos, talheres e outros utensílios dispostos nas mesas na presença do cliente, deve ser assegurada a sua higienização e acondicionamento. Depois de utilizada, a loiça deve ser lavada na máquina de lavar com detergente, a temperatura elevada (80-90ºC).

Já os colaboradores que desenvolvam sinais ou sintomas sugestivos de COVID-19 durante o seu turno de trabalho devem ser considerados como caso suspeito e encaminhados para a área de isolamento, de acordo com o Plano de Contingência.

Clientes

Por último, em relação aos cuidados a ter entre clientes, de forma a contribuir para a limitação da transmissão da COVID-19, todos os clientes devem higienizar as mãos com solução à base de álcool ou com água e sabão à entrada e à saída do estabelecimento (antes da refeição deve ser privilegiada a lavagem das mãos com água e sabão). Também devem respeitar a distância entre pessoas de, pelo menos, dois metros (exceto coabitantes) e cumprir as medidas de etiqueta respiratória (que indica que ao tossir ou espirrar, o cliente não deve usar as mãos mas sim um lenço de papel ou o antebraço. Depois disso, este deve deitar imediatamente o lenço usado no lixo e lavar as mãos). Devem considerar também a utilização de máscara nos serviços take-away que estão instalados dentro dos estabelecimentos, utilizando-a sempre de forma adequada de acordo com as recomendações da DGS.

Os clientes devem igualmente evitar tocar em superfícies e objetos desnecessários e também dar preferência ao pagamento através de meio que não implique contacto físico entre o colaborador e o cliente.

Por fim, se um cliente apresentar sinais ou sintomas de COVID-19 não deve frequentar espaços públicos.