O rio e o mar são a sua inspiração. Já o eram na Taberna Ó Balcão, em Santarém, e continuam a sê-lo no Mariscador, o seu mais recente projeto na capital. No Campo Pequeno, junto à praça de touros, o chefe (e ex-forcado) Rodrigo Castelo  sente-se em casa.

FICHA TÉCNICA:

Nome: O Mariscador
Chefe: Rodrigo Castelo. Ex-forcado, sempre foi um apaixonado por cozinha. Em 2013, resolveu dedicar-se a tempo integral ao que realmente gosta, abrindo assim a Taberna Ó Balcão, em Santarém. O Mariscador é o nome do seu segundo projeto e a cidade de Lisboa, a sua segunda casa
Conceito: Uma marisqueira com a mão e a origem do chefe a ser denunciada nos vários petiscos disponíveis
Dica: Xixa, tété e batatas ou Douradinhos do chefe com arroz branco são as opções disponíveis para os pequenos mariscadores
Morada: Centro Lazer Campo Pequeno, loja 606, Lisboa
Telefone: 968 444 126
Horário: Aberto todos os dias, do 12h às 15h e das 19h às 23h

Na ideia

Já há algum tempo que os clientes da Taberna Ó Balcão, boa parte provenientes de Lisboa, insistiam para que Rodrigo replicasse o restaurante na capital. O chefe ainda pensou sobre o assunto mas depressa chegou à conclusão que tal coisa não faria sentido. “A Taberna iria deixar de ser a Taberna”, explica. A vontade de ter um espaço em Lisboa e o convite para uma parceria, por parte do amigo José Francisco Gandarez, veio dar força aos seus antigos desejos. “A ideia de abrir uma marisqueira surgiu de forma natural. É algo que ambos gostamos muito.” Afinal, Castelo, outrora forcado e profissional da indústria farmacêutica, passou grande parte da sua infância na Nazaré, em família. Por isso, nutre uma especial paixão por aquela vila, virada para o mar. Somado a isso, desde “puto” que tem o “bichinho” pelo marisco. No novo restaurante, juntou a essas memórias, “bons produtos e tempos de cozedura certos”, num espaço que em termos de ambiente e serviço, o chefe garante não ser a típica marisqueira. “É mais clean. Acho que o espaço fala por si.”

Uma das esplanadas exteriores do Mariscador. Foto: DR

No espaço

A esplanada, dividida em dois, deixa adivinhar um espaço descontraído no seu interior. O piso térreo está decorado em tons de branco e azul, com vários elementos que aludem ao mar e a tudo o que o envolve. As cordas que servem de corrimão e as redes no teto fazem parte do ambiente natural do Mariscador. Os grandes aquários que, muitas vezes, servem de porta de entrada em restaurantes do género aqui são discretos. À medida que se sobe para o segundo piso, o ambiente muda. O balcão do primeiro andar dá agora lugar a meia dúzia de mesas, com vista privilegiada para a agitada Avenida da República, em Lisboa. Ao fundo, na parede, mariscos parecem querer sair da parede – uma ilusão, culpa da artista plástica Maísa Champalimaud, que contou com a ajuda de Rita Raimundo Glória, na decoração. Parte do ambiente são também os empregados, vestidos como autênticos pescadores: desde da calça subida à típica camisa de flanela às riscas.

Na parede, a intervenção artística de Maísa Champalimaud. Foto: DR

Na parede, a intervenção artística de Maísa Champalimaud. Foto: DR

Na mesa

Oferecer aos clientes a experiência completa de uma marisqueira é o grande objetivo do chefe escalabitano. Para ir ao encontro dessa ideia, selecionou para o início da refeição “uma boa manteiga de algas fumada de Coimbra” para barrar no “pão (torrado), feito à antiga com massas velhas”. Esse dois elementos chegam ao mesmo tempo que o Expresso de caranguejo da meia-noite –  um caldo, servido em shot, e feito a partir das cabeças desse animal. Para os fãs da Taberna Ó Balcão, e antes dos pratos de marisco pousarem na mesa, há ainda o conhecido coscorão do mar e do rio, bem como as buchas e as camarinhas, para ir petiscando.

Na teca ou meia teca, ou até mesmo ao peso, é como se apresenta o verdadeiro protagonista deste restaurante: o marisco. Camarão de Espinho, Canilha, Gamba violeta do Algarve, Lagostim, Santola, Sapateira são apenas algumas das espécies que se podem provar.

À medida que avançamos na carta, encontramos pratos de carne e peixe, e ainda dois arrozes: um de lavagante e outro de lingueirão. Há também uma terceira opção, um cevadoto de lagostim, uma espécie de “risoto de cevada (e, por isso, isento de glúten) servido com gambão ó alhinho”. E como não podia deixar de ser para o final da refeição há também pregos de lombo, de atum ou de caranguejo de casca mole, na pombinha (pão adocicado tradicional de Santarém). Nas sobremesas, destaque para a caixa das sete saias, inspirada nas usadas pelas antigas vendedoras de doces, no areal da Nazaré.  

A regar tudo isto, estão (para já) 20 referências vínicas, incluindo o vinho Castelo, produzido pelo próprio chefe e ainda uma carta de cerveja, espumantes e cocktails – que vêm do bar no exterior, à entrada do restaurante.

A teca, um prato de partilha, que conta com um mix de vários mariscos. Foto: DR