Rossio Gastrobar, no Altis Avenida, é o novo projeto da responsabilidade de João Rodrigues, Joâo Correia e da cadeia de hotéis Altis. A informalidade reina na carta, no espaço e tem vista para a Baixa lisboeta.

FICHA TÉCNICA:

Nome: Rossio Gastrobar
Chefes: João Rodrigues e João Correia. Após estudarem juntos na Escola de Hotelaria de Lisboa, cruzaram caminhos no Casino Lisboa e, mais tarde, no Altis Belém. Entretanto Rodrigues assumiu chefia do hotel e Correia aceitou o convite para liderar a cozinha do restaurante Rossio, no Altis Avenida.
Conceito:
Cozinha de produto que respeita a sazonalidade.
Menu: À la carte.
Dica:
André Figuinha, sommelier do Feitoria, é o responsável pela carta de vinhos do Rossio Gastrobar que conta com perto de 100 referências, na sua maioria nacionais, divididas por características e não por região, como é comum encontrar.
Morada:
Altis Avenida Hotel. Rua 1º de Dezembro, 118. Rossio, Lisboa.
Telefone:
210 440 018
Horário:
Todos os dias das 12h30 à 01h.

Na história

A possibilidade de o Altis Avenida crescer para o prédio do lado trouxe uma série de ideias ao grupo hoteleiro, como o aumento de quartos e o reforço da oferta gastronómica do hotel para o topo do edifício, em formato rooftop.

O resultado está agora à vista com a abertura do novíssimo Rossio Gastrobar, um projeto que conta com a assinatura de João Rodrigues — chefe do Altis Belém, onde se inclui o estrela Michelin Feitoria — em parceria com João Correia, chefe executivo do hotel. “Tem corrido tudo muito bem, eu e o João [Rodrigues] já nos conhecemos há bastante tempo, estudámos e trabalhámos juntos (no Casino Lisboa e no Altis Belém). Além disso, é alguém de que eu admiro muito o trabalho”, começa por contar Correia, que neste novo bar/restaurante assume a posição de chefe residente.

Sendo Rodrigues um ávido defensor do produto e da sazonalidade, neste Gastrobar as coisas não podiam funcionar de forma diferente. “Ainda que sem fundamentalismos”, avisa o chefe residente, sobre a possibilidade de aqui a cozinha ter liberdade para usar outros produtos que não apenas aqueles de origem portuguesa. As comparações com o Feitoria são inevitáveis e o facto é que há uma assumida aproximação quanto ao tratamento da matéria-prima. Mas de resto tudo segue a linha de Gastrobar: mais descontraído no formato e no espaço — e com um bar de cocktails chefiado por Flavi Andrade. Como explica João Correia: “A ideia é vir aqui para comer e beber com uma qualidade enorme, sem qualquer tipo de pressão ou protocolo, ao mesmo tempo que se aproveita esta vista maravilhosa.”

João Correia (à esquerda) e João Rodrigues (à direita) são os responsáveis por tudo o que se come no Rossio Gastrobar. Fotos: DR

No espaço

Esqueça o possível constrangimento de ter de passar pela receção do hotel para subir ao topo deste Rossio Gastrobar. No Altis Avenida há uma entrada ao lado da principal com um elevador que transporta os clientes até ao rooftop em poucos segundos. Já no topo encontram-se duas salas interiores — uma delas é partilhada com o bar — decoradas em tons de cinzento, verde e dourado. Em tempo de verão, a sala secundária funciona para reservas de grupos ou outros eventos. Mas o principal destaque vai mesmo para o espaço exterior, com uma vista ampla para toda a zona da Baixa lisboeta, onde se encoraja o casamento entre comidas e bebidas.

A chefiar essa última vertente está Flavi Andrade, eleita já por diversas vezes ‘Melhor Barmaid’ pelo Lisbon Bar Show. No total, criou dez cocktails que, a par da cozinha, promovem os produtos locais e a sazonalidade. “É um diálogo fluido entre ambos”, conta Flavi. Como explica a bartender, a ideia neste bar/restaurante é descomplicar e apresentar bebidas de sabores fáceis de reconhecer. Veja-se o exemplo do cocktail O Coco que é deixado numa infusão de lima-kaffir durante 24 horas, com citronela. “O que demora mais são as preparações. Fazemos tudo de raiz, dos xaropes às infusões”, garante.

Flavi Andrade, chefe de bar do Rossio Gastrobar e o cocktail Coco, uma das sugestões da carta de bebidas. Fotos: DR

Na mesa

A chance de ter dois chefes a pensar uma carta oferece possibilidades sempre interessantes. Com diferentes estilos, criou-se uma fusão daquilo que agrada aos dois. A parceria foi novidade também para João Correia, que até então estava habituado “a pensar cartas e não pratos”, devido a sua experiência no mais clássico —  e entretanto encerrado — restaurante Rossio. Por agora, conta, mantém-se a carta de abertura, que aconteceu em meados de maio, com sugestões de pratos leves, de partilha e outros mais substanciais, de conforto. Formalismos de lado, e com a vista sobre Lisboa para aproveitar, o convite de João Rodrigues e João Correia é mesmo usar as mãos como talheres em sugestões como o crocante de camarão touro, coentros e mão de buda e as falsas cerejas de foie gras e brioche tostado [ambos pratos clássicos já servidos no Feitoria] ou na mais substancial katsu sando de porco Alentejano e pickle de cebola. Os talheres, da autoria da marca Rival, guardam-se para o arroz carolino de carabineiro do Algarve, para a lula com shiitake e molho de manteiga cítrico, para o tártaro de Arouquesa e caviar Oscietra ou para as sobremesas caramelo, banana e bolacha Maria e chocolate, avelã e fava tonka — todos servidos em cerâmicas do ateliê Studio Neves. Com o fim da época de espargos, aquele prato que junta o vegetal com molho holandês e queijo de vaca curada há de sair muito em breve para dar lugar a outro e, no futuro, há de ser sempre assim de forma “a respeitar o produto ao máximo”, conta João Correia com um claro entusiasmo pela novidade.

Esta katsu sando de porco Alentejano e pickle de cebola é uma das opções da carta e tem como sugestão de harmonização uma cerveja Dois Corvos Finisterra. Foto: DR