No último fim de semana, dias 29 e 30 de outubro, decorreu a 27º final do concurso Chefe Cozinheiro do Ano (CCA) que teve lugar na FIL, no âmbito da feira Portugal Agro. Rui Martins (Rib Beef & Wine, Porto) foi o grande vencedor da noite e levou para casa também o Prémio Helmunt Ziebell pelo seu prato ‘O Ananás, o coco e a lima’. Em segundo e terceiro lugar ficaram Vítor Adão (Bistro 100 Maneiras, Lisboa) e Nuno Fernandes (O Talho, Lisboa), respetivamente.
Ao contrário de anos passados, o palco do CCA ficou localizado no início da feira, com uma grande tela branca de fundo decorada pela street artist Tamara Alves. Por parte dos visitantes, foi visível uma natural curiosidade acerca do ali se passava. Muitos pararam, tiraram fotos e observaram. Outros seguiram o seu caminho naquela feira que é uma montra de Portugal e apresenta várias iguarias regionais, desde os gelados dos Açores às empadas de Idanha-a-Nova.
As provas foram divididas em dois dias pelos seis concorrentes – Rui Martins (Rib Beef & Wine, Porto), Mauro Silva (Casa de Chá Boa Nova, Leça da Palmeira), Filipe Leonor (Taberna Andaluz, Barreiro), Vítor Adão (100 Maneiras, Lisboa), Nuno Fernandes (O Talho, Lisboa) e Hugo Castro (Tabik, Lisboa) – que confecionaram um menu de quatro pratos cada, sempre sob o olhar atento do júri, constituído por importantes figuras do panorama nacional, como Alexandre Silva (Loco, Lisboa), Nuno Diniz (Tágide, Lisboa) e Nuno Mendes (Taberna do Mercado, Londres) – presidente da equipa de avaliação. Presente esteve também o vencedor da edição passada, João Viegas (São Gabriel, Almancil) que este ano teve a função de júri observador, uma experiência que descreveu como “super agradável”.
Além da inovadora sobremesa, o minhoto de 38 anos apresentou ainda a entrada ‘carapau, açorda e gaspacho’, o prato de peixe ‘bacalhau salgado seco da Noruega com todos (a terra e o mar)’ e o prato de carne ‘jardineira de vitela D.O.P’. Sobre a vitória, Rui Martins confessa: “não consigo explicar os meus sentimentos agora. Este era um objetivo muito pessoal. Agora faço parte de uma história de 27 anos e de um grupo restrito de chefes. Só quem ousa concorrer pode dizer o quão difícil é não desistir”, sublinha. O caminho daqui para a frente é certo. “Isto não muda nada. Apenas me dá motivação. Vou continuar a trabalhar para ser melhor”, refere. Rui Martins vai também muito em breve embarcar na aventura de estagiar no El Celler de Can Roca, o segundo melhor restaurante do mundo pela lista 50 Best Restaurants.
Num balanço final, Nuno Mendes recorda que os finalistas trouxeram “sabores portugueses” aos pratos e que isso o deixa “muito entusiasmado”. Relativamente ao vencedor, o chefe não dúvida que este “foi o seu ano” e que o trabalho que apresentou no concurso “foi muito bom”. “O Rui (Martins) usou menos cinco ou seis ingredientes do que os outros concorrentes. E estavam todos muito bem trabalhados”, defende. O chefe radicado em Londres deixa ainda rasgados elogios ao segundo classificado, Vítor Adão. “Evoluiu muito desde a edição passada. E tem tudo o que é preciso num chefe de cozinha”. Relativamente ao CCA, o chefe de 43 anos faz ainda uma observação importante sobre o qual tem pensado ultimamente e deixa um apelo: “Há escassez de mulheres a participar neste tipo de concursos. Eu sei que elas existem e são muito boas. Participem!”. Oiçam-no. É Nuno Mendes quem o diz!
