A conversa com os chefes Hugo Brito, Alexandre Silva e Vasco Coelho Santos, moderada pelo jornalista Rafael Tonon, foi a primeira intervenção da manhã de hoje, 4 de abril, do evento gastronómico Sangue na Guelra — que está a ser transmitido em live streaming. Ao longo de 45 minutos, falou-se de possibilidades na abertura dos restaurantes e planos para o futuro.

Dos três chefes, Hugo Brito é o único com um projeto de take away e delivery em andamento. O chefe do Boi-Cavalo, em Lisboa, decidiu reativar um pop up realizado há três anos, Phoi-Cavalo, e otimizar a sua consequente oferta. “Deu-me gozo trabalhar com tantas limitações (…) É uma solução provisória. Ainda não percebemos o que vai acontecer a seguir. Nós fazíamos comida para as pessoas comerem, era uma experiência”, começou por dizer. O chefe confessou que já estava preocupado com a excessiva dependência dos restaurantes portugueses em relação ao público estrangeiro e que já pensava em renovar o conceito do Boi-Cavalo que acabou por, ao longo dos anos, assumir um lado demasiado “formal”. “Vamos ter que nos aproximar dos portugueses”, atirou como uma das possíveis soluções aquando da abertura do seu espaço. Felizmente para Alexandre Silva, o seu mais recente projeto, Fogo, em Lisboa, aberto em dezembro de 2019, trabalhou até à data de fecho, dia 13 de março, apenas com clientes lusos e, mesmo por isso, esse deverá ser o seu primeiro espaço a reabrir [Alexandre detém ainda um food corner no Mercado da Ribeira e o Michelin Loco]. Silva admitiu estar, neste momento, “mais calculoso e prudente” e a ouvir várias opiniões para tomar decisões. Revelou ainda que se optar pelo take away, será por um período curto, pois não pretende trabalhar no futuro com esse tipo de oferta.

Durante a conversa, os chefes confirmaram ainda que nenhum dos seus restaurantes têm datas previsíveis de abertura, apesar do governo permitir a partir de dia 18 de maio que os estabelecimentos de restauração retomem a sua atividade, ainda que com restrições.

Em relação ao futuro, Vasco Coelho Santos adiantou que prevê adaptar a oferta do Euskalduna Studio, no Porto, “talvez” com a aplicação de preços “mais baixos”, uma possível abertura à hora de almoço e a retoma da abertura do espaço ao fim de semana. Já no Semea by Euskalduna Studio, o outro restaurante mais informal de Coelho Santos, o caminho pode passar pelo “início de jantares privados”. O portuense manifestou ainda estar “cheio de vontade” de voltar ao ativo.

Hoje (4 de abril) e amanhã (5 de abril), o Sangue na Guelra propõe-se a discutir “o poder da comida e o impacto da pandemia sobre a indústria, em Portugal e no mundo” com nomes como Joan Roca, José Avilez, Dan Barber, Daniel Humm, Andoni Aduriz e Henrique Sá Pessoa. O live streaming, gratuito, está a ser transmitido em direto, no YouTube e no Facebook do evento. Mais informações aqui.