O chefe brasileiro Lucas Azevedo, do restaurante Izakaya Tokkuri, em Lisboa, não aprecia cominhos, já trocou o sal pelo açúcar e a pastelaria é uma ciência que considera um mistério.

Se não fosses cozinheiro o que terias sido?
Não sei bem. Eu sempre gostei muito de cozinhar, o que me faz pensar que estava mesmo destinado a isto. Mas a par do gosto pela cozinha há o desporto, que agora por falta de tempo não pratico. Durante um longo período da minha vida foi no desporto que investi, mais propriamente na prática e ensino de capoeira. Por isso, se não fosse cozinheiro, talvez ainda estivesse ligado à capoeira de uma forma mais profissional.

Qual é aquela receita que nunca te sai bem?
Fazer bolos é algo misterioso para mim. Caio sempre na tentação de abrir o forno antes do tempo e é nesse momento que penso: “Ups, já foste!”

Qual o ingrediente que levarias para uma ilha deserta?
Arroz, sem dúvida. É um dos ingredientes principais da cozinha nipónica, na qual já trabalho há bastante tempo.

Qual o ingrediente de que não consegues mesmo gostar?
Por norma sou aquilo a que se pode chamar de “bom garfo”, mas dispenso comida temperada com cominhos.

Qual foi a refeição mais estranha que já tiveste?
Foi na minha última viagem ao Japão. Comi baleia. Era saboroso mas tem uma textura estranha.

A primeira vez que cozinhaste fizeste o quê?
Arroz, claro!

Qual o maior erro que já cometeste numa cozinha?
Trocar o sal pelo açúcar.

Que ingredientes improváveis resultam muito bem?
Não sei bem dizer dois ingredientes mas dá para fazer muitas coisas com Katsuobushi (conserva seca de peixe bonito), por exemplo.

Qual é o restaurante que gostavas de ter mas não é teu?
Não queria ter o restaurante de ninguém, mas só e apenas o meu (um projecto para o futuro, quem sabe). O nosso restaurante é uma parte de nós, é parte da nossa família, está sempre connosco e corre-nos nas veias. É o nosso pecado e a nossa redenção! É algo tão pessoal como a nossa própria identidade.

Qual o chefe em Portugal a quem confiavas a tua cozinha por um dia?
Sem sombra de dúvidas ao Fagner Bratfisch Buzinhani do restaurante Go Juu pela afinidade que temos na visão da cultura e gastronomia japonesa.

Além da cozinha, que outras paixões tens?
A minha família, claro! Sem eles, nada disto teria sentido. É a eles que vou buscar forças nos dias mais complicados.