Nesta nova rubrica do ETASTE queremos saber o que se gosta e o que não se gosta, o que corre bem e o que corre mal. Frustrações e obsessões. Erros e sucessos. Falamos com a pessoa, não apenas com o cozinheiro. O primeiro convidado é Pedro Pena Bastos, chefe do recém-aberto Ceia, em Lisboa. Eis o resultado dessas perguntas e respostas, sem espinhas.

Se não fosses cozinheiro o que terias sido? Microbiólogo ou engenheiro aeronáutico. Até aos 17 anos ponderei um dos dois. Mas desde miúdo percebi que cozinhar e dar prazer aos outros era o que eu gostava de fazer.

Qual é aquela receita que nunca te sai bem? Ovos escalfados. Não tenho jeito.

Qual o ingrediente que levarias para uma ilha deserta? Brócolos. É o meu legume favorito, é muito completo. Seja em cru, pickle ou cozinhado. É um produto que está em época largos meses durante o ano.

Qual é aquele ingrediente de que não consegues mesmo gostar? Fava Tonka. Não gosto do aroma à amoníaco. Associo a algumas transformações fermentativas que correram mal.

Qual foi a refeição mais estranha que já tiveste? Foi num restaurante de rua em Macau. Haviam animais vivos que eles depenavam e cozinhavam ao momento, em frente aos clientes. Mesmo ao lado, iam lavando os pratos. Todo aquele ambiente era estranho, a juntar à forma de cozinha. Mas acabei a comer pombo e rã e gostei muito.

A primeira vez que cozinhaste fizeste o quê? Maionese. Tinha seis anos, estava em férias com a família e queria fazer uma sanduíche de atum com pasta de maionese. Tinha muita curiosidade em perceber porque é que duas coisas líquidas criavam algo visivelmente sólido.

Qual o maior erro que já cometeste numa cozinha? Esquecer-me de uma perna de presunto em sal durante seis meses, debaixo de uma bancada de cozinha.

Que ingredientes improváveis resultam muito bem?
Brócolos grelhados mergulhados em chocolate (90% cacau) e umas pedras de flor de sal. É ótimo.

Qual é o restaurante que gostava de ter mas não é teu? O Loco. É um restaurante muito inspirador.

Qual o chefe em Portugal em quem confiavas a tua cozinhas por um dia? Tenho vários. Rodrigo Castelo, José Avillez, David Jesus e Alexandre Silva pela personalidade e forma de pensar. Ou o Vasco Coelho Santos, por ser um visionário da parte mais elementar e básica do que é cozinha.

Além da cozinha, que outras paixões tens? Tocar bateria, guitarra, cantar. Adoro música. Comecei aos 14 a tocar, agora não tenho muito tempo mas não vivo sem isso.