Após dois anos a ganhar posição no panorama gastronómico portuense com a sua cozinha de autor no Euskalduna Studio, Vasco Coelho Santos agarra agora pelos colarinhos a gastronomia portuguesa e dá-lhe o seu toque pessoal no novíssimo Semea, que abriu por estes dias na Rua das Flores.

FICHA TÉCNICA:

Nome: Semea by Euskalduna
Chefe: Vasco Coelho Santos. Natural do Porto, foi em Lisboa que se iniciou na cozinha. Primeiro no Olivier Avenida e depois no Tavares Rico, com José Avillez. Em 2010, viajou até à Espanha, onde juntou experiências nos restaurantes Mugaritz, Arzak e El Bulli. Mais tarde, e já de regresso a casa, passou pelo Pedro Lemos. Em 2015 abriu o seu primeiro projeto na cidade do Porto, a chicken house BaixóPito. É também na Invicta que no final de 2016 inaugurou o Euskalduna Studio, um espaço onde explora as várias influências das cozinhas por onde passou
Conceito: Nas palavras do chefe, o Semea é uma “combinação de ingredientes frescos e da essência portuguesa”
Dica: Dê uma olhadela na carta de bebidas. Por lá vai encontrar várias referências de cervejas artesanais e ainda vinhos provindos de pequenos produtores
Morada: Rua das Flores, 179. Porto
Telefone: 938 566 788
Horário: Aberto de terça a domingo, do 12h às 14h30 e das 18h às 23h

Na ideia

Vasco Coelho Santos passou parte do seu percurso profissional no País Basco, a trabalhar em restaurantes como o Mugaritz e o Arzak — e essa influência é notável até no nome que o chefe dá aos seus espaços. Em 2016, abriu o Euskalduna Studio, cujo significado é nada mais do que o nome dado a quem fala o idioma dessa região do norte de Espanha – o “basco”. Agora, passados dois anos, inaugura o Semea, que nessa mesma língua quer dizer “filho”. Nesse sentido, será que se pode afirmar que este seu novo restaurante seja um seguimento do trabalho desenvolvido no primeiro espaço? Segundo o chefe, claro que sim. Afinal, é por isso que se chama Semea by Euskalduna. “A premissa base é a mesma mas num registo mais informal. O produto e os ingredientes nacionais continuam a ser o foco”, começa por explicar. O nascimento do Semea surgiu da vontade do portuense ter um restaurante que pudesse chegar a outro tipos de clientes mas mantendo a identidade do Euskalduna. Para isso, Vasco idealizou o espaço a partir do conceito da palavra partilha, no sentido literal e não só. “Todos nós temos memórias especiais criadas à mesa com aqueles que nos são mais queridos e acredito que esses momentos estarão sempre ligados à gastronomia.”

No ambiente

Apesar de seguir a linha do outro projeto de Vasco, este queria que este novo desafio tivesse a sua própria identidade. Tanto nos lugares, que por aqui são mais – 25 sentados – como na decoração. Apesar de o chefe manter a preferência pela madeira nas mesas, nos balcões, nas cadeiras e noutros “pequenos apontamentos”, existe aqui uma linha diferente do outro restaurante. As paredes pintadas em tons acastanhados, rimam com o verde dos azulejos, ali colocados perto da cozinha – o que dá origem a um espaço “bastante casual e informal”, a puxar a “partilha” de experiências.

O espaço foi pensando em conjunto com o Atelier MaPa. Foto: DR

Na mesa

À semelhança do que já conhecemos do trabalho do chefe, também no Semea haverá constante inovação e mudança no menu que irá depender, em grande parte, “dos produtos que nos forem chegando”, explica Vasco. Para já, as opções disponíveis podem mesmo variar, num piscar de olhos, do almoço para o jantar. Por agora, nos dias iniciais, há 12 pratos para experimentar, entre eles, o típico Bacalhau à Brás, um prato que o chefe gosta particularmente e que “remete muito à tradição portuguesa e aos sabores nacionais”. A este junta-se, por exemplo, o Atum, rabilho, ponzu e ervas, “inspirado na costa lusa e um hino à riqueza e diversidade” do país. Ou ainda, o prato de Xara, cebola e funcho que segundo Vasco, é inspirado nas suas memórias de infância, “quando estava na cozinha com a minha avó”. E como o sufixo Euskalduna não vem ao acaso no nome do Semea, na ementa vai também poder encontrar alguns dos clássicos do restaurante, como a afamada Rabanada com gelado de queijo da Serra – entre as quatro sobremesas disponíveis – e ainda o pão de fermentação longa que por lá é confecionado todos os dias.

Com o novo projeto, e a Rua das Flores a ser palco de redescobertas por partes dos portuenses, o chefe espera assim contribuir no sentido de ajudar o Porto a evoluir em termos gastronómicos. Apesar de a cidade estar “num caminho certo”, Vasco Coelho Santos é da opinião que “ainda há muito por fazer”. E o Semea é o seu segundo passo no sentido de fazer esse caminho.

O prato de Xara, cebola e funcho. Foto: DR