Foram precisos 70 minutos para escavar outros tantos centímetros e chegar à maior trufa vendida nos últimos 14 anos pela empresa italiana Toscobosco. Falamos de umas generosas 618 gramas, quando a média não ultrapassa as 100. Depois de encontrada, começou outra aventura: a do transporte. “As trufas brancas conseguem preservar o seu aroma e sabor durante, no máximo, uma semana”, afirma Elenia Ottonelli, diretora da Toscobosco e a responsável, juntamente com a sua cadela Shunga, por este achado. Para a fazer chegar a Portugal, foi por isso necessário fazê-la viajar de avião, numa caixa de frio controlado, coberta pela mesma terra em que foi achada, de modo a preservar o seu equilíbrio e humidade.

À chegada tinha o chefe Ljubomir Stanisic à sua espera, que com ela organizou a sua ‘declaração de amor-à-trufa”, com o almoço ‘Trufa à pazada 3.0’, no restaurante 100 Maneiras, em Lisboa, no passado dia 2 de novembro. O chefe, convidou amigos e imprensa e deu sem limites. Entre os amigos estavam Vítor Sobral. Para o acompanhar, escolheu João Rodrigues, vencedor da 20.ª edição do Chefe Cozinheiro do Ano, e responsável pelo restaurante Feitoria, em Lisboa. O menu, constituído por oito momentos, incluiu – por exemplo – uma entrada de ‘cone de truta e ovas, molho de rábano e espuma de queijo’, ‘carne crua, boletus, gema e tutano’ ou ‘robalo, couve-flor, cogumelos e molho de caviar Beluga’. Para terminar houve ‘macaron trufa-trufa’’. A partir de dia 3 de novembro, estes e outros pratos passam a estar disponíveis no menu do restaurante. E por 10 euros por grama, os clientes podem adquirir a trufa branca para enriquecer as criações do chefe.

Este é já o terceiro menu dedicado a esta iguaria, criado por Ljubomir. A primeira edição teve lugar em 2014, quando as trufas negras de outono serviram de base a um menu exclusivo, servido no Bistro 100 Maneiras. Um ano depois, o chefe viajou até Itália, de onde regressou reabastecido, para uma segunda edição do menu ‘Trufas à Pazada’.

Segundo os especialistas, a trufa adquirida agora por si é “excepcional”. Encontrada em Arezzo, em Itália, é a maior da região desde o início da temporada, que arrancou a 1 de outubro. No entanto, não tem sido uma época fácil, já que devido à falta de chuva, tem havido escassez deste produto. Mais rara que a trufa negra, a branca não pode ser cultivada, crescendo espontaneamente em regiões específicas, como o norte de Itália ou o sul de França. E por que se desenvolvem debaixo da terra, só podem ser encontradas com a ajuda de cães treinados para o efeito. Tal como aconteceu com Elenia Ottonelli, que garante: “esta é a trufa mais bonita que já vendemos”.