Valdo Gatti é o nome da mais recente pizzaria do Bairro Alto, em Lisboa. A farinha, vinda do nordeste de Itália, dá origem à massa, fermentada durante 48 horas, devidamente esticada pelas mãos do pizzaiolo Antonio Menghi e a que se juntam ingredientes biológicos portugueses e italianos.

FICHA TÉCNICA:

Nome: Valdo Gatti
Chefe: Antonio Menghi. Natural da região de Puglia, em Itália, tem 27 anos. Após a formação, mudou-se para Genebra, onde trabalhou num restaurante italiano. Depois surgiu experiências em Londres e o curso de pizzaiolo, em Veneza
Conceito: Pizzas artesanais, feitas a partir de ingredientes biológicos e naturais
Dica: A carta de bebidas é curta: há três rótulos de branco e outros tantos de tinto, todos biológicos e servidos em garrafas de vidro reutilizável. Há também vinho rosé, lambrusco e prosecco e ainda sangria e cerveja. O destaque vai para as bebidas naturais, extraídas a frio e a limonada caseira. O café, esse, provém de um lote também ele biológico
Morada: Rua do Grémio Lusitano 13, Lisboa
Telefone: 213 471 601
Horário: Aberto todos os dias, do 12h às 23

Na história

António Cardoso, com forte experiência internacional na criação de modelos de restauração, sabia que o seu regresso a Portugal, depois de quase 20 anos a trabalhar em Inglaterra, teria de acontecer por uma razão muito especial. O desafio de abrir umas quantas pizzarias no país surgiu por parte de um investidor italo-americano, apaixonado por Portugal. Com tantos espaços iguais, a ideia era oferecer aos clientes um modelo de pizzaria diferente. Mas como? “Estudei o mercado luso, comi muitas pizzas. Quando se cria um modelo de negócio, há que pensar no que é o futuro. O objetivo era criar um espaço ao nível de qualquer cidade internacional, em que o cliente entre e fique ‘uau’”, explica António, revelando ainda que poucos dias após a abertura do restaurante, um grupo de comensais italianos mostrou-se surpreendido com a qualidade encontrada nas criações de António Menghi, o pizzaiolo residente, proveniente da região da Puglia, que o responsável conheceu em Londres. E num mercado cheio de pizzarias, como é possível marcar pela diferença? “Na qualidade. Em cima da pizza só usamos ingredientes naturais e biológicos –  os refrigerantes e a cerveja são as únicas coisas que não o são – e nisto os italianos ainda estão muito atrasados”, elucida. De Itália, vêm a farinha, a mozarela, os queijos gorgonzola e provola, a charcutaria e os tomates. De resto, é tudo português e o mais local possível, incluindo o azeite, o sal, os vegetais e as ervas, o vinho e o limoncello, feito no Alentejo pelas mãos de um italiano. Outros dos alicerces da Valdo Gatti – nome que serve de homenagem a Osvaldo, familiar de um dos fundadores do restaurante e proprietário do café Gatti, em Itália – é também a consciência ambiental. Por isso mesmo, as palhinhas utilizadas nos sumos naturais são feitas a partir de material biodegradável e a lenha que alimenta o forno é certificada e provém da limpeza das florestas.

O forno do espaço que funciona a lenha e a gás. Foto: DR

No espaço

Ao subir a rua do miradouro de São Pedro de Alcântara, vire-se numa estreita rua à esquerda e, escondido entre tantos outros restaurantes, encontra-se a Valdo Gatti à vista. O espaço é aparentemente pequeno mas guarda lugar para 50 pessoas. Tem uma porta aberta para a esplanada, também de reduzida dimensão, e que acaba por dar luz ao restante ambiente. Tons neutros completam a sala de jantar que tem a mestria do jovem pizzaiolo italiano à vista de todos os curiosos. Segundo explica António Cardoso, a decoração está pensada para este ser “um espaço agradável que não distraia o cliente do que realmente importa: a pizza”.

O interior do Valdo Gatti, com uma esplanada a espreitar lá ao fundo. Foto: DR


Na mesa

Do forno a lenha e a gás – com uma pedra giratória que permite cozinhar pizzas uniformes em pouco minutos – saem doze opções mais a pizza do dia, que, como o nome indica, muda de forma diária. Na carta, não faltam as já reconhecidas Margherita, Quattro Stagione ou Quattro Formaggi, nem aquelas mais saudáveis idealizadas por Antonio Menghi, como a Crudaiola Antonio, recheada de toppings crus ou a Salsiccia e Broccoli, sem a base de tomate. O pizzaiolo italiano trabalha a massa, que é fermentada ao longo de 48 horas, o que a torna “mais leve, com um baixo teor de glúten e de fácil digestão”, explica o responsável. Apesar de a pizza ser o personagem principal desta casa, não faltam por aqui também algumas opções de Antipasti, Insalata e Al Forno, onde se incluem a Salumi e Formaggi, uma tábua de charcutaria e queijo, a Parmigiana di Melanzane, em que as beringelas formam quase o que parece ser uma lasanha, ou ainda a Zucchine e Finocchio, um esparguete de curgete, com funcho, abacate, alcachofra, alfalfa, erva de menta e manjericão, romã e vinagrete. Nas sobremesas, o típico Tiramisú ou a Mousse de Chocolate Preto (sem lactose e glúten) juntam-se às bolas de gelado da já famosa Nannarella.

Muito em breve, mais novidades vão surgir no mundo Valdo Gatti, garante António Cardoso, que não pretende ficar pela pizzaria no Bairro Alto. “Queremos estar em mais zonas do país, sempre com o mesmo conceito.”

Crudaiola Antonio, uma das doze pizzas disponíveis. Foto: DR